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Empréstimo "de risco" aprovado para Lisboa

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FILIPE MORAIS  

Foi um empréstimo "de risco" o que a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou ontem, depois de tanto a proposta do PSD como a do PS terem ficado pelo caminho. No fim, ficou definido que a Câmara de Lisboa vai poder avançar com um empréstimo global de 400 milhões de euros, divididos em duas tranches: uma de 360 milhões para as dívidas a curto prazo e outra de 40 milhões para as dívidas em contencioso judicial.

Depois da proposta votada, o presidente da autarquia considerou que "esta é uma proposta de risco, que permite o pagamento imediato de todas as dívidas a curto prazo, mas não dá para todas as que estão no Relatório e Contas aprovado pela AML". Costa sublinhou que este "foi um risco calculado por causa da crise política" que se estava a instalar na autarquia, já que o PSD, que tem maioria absoluta na AML, preparava-se para chumbar a proposta de empréstimo.

António Costa aproveitou o facto de Domingos Pires, deputado municipal do PSD e presidente da Junta de Freguesia de Benfica, ter voltado a defender uma proposta de 400 milhões de euros para dizer que a aceitava. O autarca convocou uma reunião extraordinária da Câmara de Lisboa logo no local e em 15 minutos o executivo municipal apresentou à AML uma nova proposta de empréstimo, aprovada com as abstenções do PSD e do Movimento Lisboa com Carmona. PS, PCP, BE e Cidadãos por Lisboa votaram a favor do novo empréstimo. Na AML, o empréstimo passou com os votos favoráveis de PS, PCP, BE e Os Verdes, com CDS/PP e PSD a absterem-se. O sentido de voto da bancada laranja originou novas críticas, já que "o PSD absteve-se na sua proposta. É algo de delicioso", disse Miguel Coelho (PS).

O debate passou ainda pela presença nas bancadas de Carlos Carreiras, líder da distrital de Lisboa do PSD e vice-presidente da Câmara de Cascais. Miguel Coelho acusou assim a direcção do PSD "de resolver intrometer-se numa questão local" e de estar "apenas interessada em poder dizer, numa qualquer noite eleitoral de 2009 que ganharam a Câmara de Lisboa". No fim da sessão, Carlos Carreiras dizia que só esteve presente na AML porque sempre acre- ditou "que haveria uma solução e estava aqui para tentar contribuir".

Por seu lado, António Costa afirmou que "ficou provado que os autarcas de Cascais, Ílhavo e Gaia não percebem nada da Câmara de Lisboa", em referências directas a três dirigentes do PSD: Carlos Carreiras, José Ribau Esteves e Luís Filipe Menezes.


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