por
LUÍSA BOTINAS e SUSANA SALVADOR
RODRIGO CABRITA (imagem)
Como é que o Rio conjuga a imagem de "Cidade Maravilhosa" com as favelas e a violência?
Antes de mais, a favela não pode ser entendida só como pobreza. Há nela uma classe média forte, que troca os padrões de comportamento dessa classe por rendimento. Com o mesmo salário vai ter mais rendimentos do que os que teria se vivesse em Copacabana, porque as despesas são menores. Há uma racionalidade económica. A outra questão, de maior gravidade, é a da violência. Já no final dos anos 70, instituiu-se no Rio um corredor de exportação de cocaína para a Europa, que vem da Bolívia, do Peru e da Colômbia. Os traficantes usam as armas para ocupar e defender o território. Só no Rio, há 2400 homicídios por ano e três mil mortes violentas. A taxa de homicídios é 40 por cem mil habitantes. Contudo, o Rio de Janeiro recebe 37% dos turistas do Brasil, e esses números mantêm-se. Como é possível com as notícias de tantos tiros na CNN? O turismo propaga-se boca a boca. A experiência de um turista é contada para o outro e o turista não tem essa experiência no seu quotidiano.
Mas há caso de turistas mortos junto à zona central...
São casos completamente atípicos. Se olhar para o corredor da Avenida Atlântica, quantos roubos existem? Há furtos, mas roubos, com violência, são poucos. A sensação que o turista tem quando chega ao Rio é que tem segurança, até porque aquela área é mais segura. A violência não afecta o turismo.
Mas as favelas não são seguras. A polícia tem dificuldades em entrar?
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