por
João Marcelino e José Fragoso
José Manuel Durão Barroso.
Chega com a sua "mulher de confiança", Leonor Ribeiro, colaboradora de anos. No carro vem também um segurança. Numa outra viatura viajam os dois filhos que assim aproveitam a companhia do pai. E, como por detrás do Presidente da Comissão Europeia está o Homem, esta entrevista terá também uma parte mais pessoal. É aí que o político que deixou cair o Durão quando assumiu a Europa se sente menos à vontade. Prefere falar de temas da alta política, área onde já estudou a localização de todos os alçapões que se lhe podem abrir. Sobretudo não gosta de revisitar os tempos em que foi primeiro-ministro. Ainda será cedo para as memórias nacionais e pode ser mau para um líder que hoje é mundial...
Qual foi, para si, o momento decisivo do acordo [sobre o Tratado Constitucional] obtido em Lisboa no mês passado?
Em relação ao Tratado de Lisboa, o momento decisivo foi o acordo a que se chegou durante a presidência alemã quanto à definição do mandato. Mas é justo reconhecer que sem a determinação da presidência portuguesa e sem o esforço feito para que todos se concentrassem naquele mandato e se conseguisse o acordo agora, já, no Conselho Europeu de Outubro, não teríamos ainda o Tratado aprovado por todos os países. Este foram os dois momentos decisivos, uma vez que se procurou ultrapassar o impasse institucional que se seguiu ao voto negativo em França e nos Países Baixos. Mas, se quisermos recuar, houve outros momentos importantes porque essencialmente logo a seguir ao voto negativo em França e na Holanda houve quem quisesse que a Europa entrasse em depressão, que a Europa abandonasse todo o projecto de reforma. Com determinação, foi possível evitar o bloqueamento das instituições ao mesmo tempo que se conseguiu criar as melhores condições para fazer renascer um consenso em torno de um novo Tratado, que já não é a Constituição Europeia como estava mas que é, sem dúvida, um Tratado que representa um progresso importante para a Europa.
Até que ponto o facto de terem coincidido dois portugueses à frente das instituições europeias ajudou a acelerar este entendimento a 27?
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