por
JOSÉ MANUEL OLIVEIRA
O ministro da Justiça e o director nacional da Polícia Judiciária consideraram "inqualificáveis" e "irresponsáveis" as declarações de um assessor de um deputado britânico no Parlamento Europeu que acusa o sistema judicial e policial português de ser "corrupto". Por seu turno, o procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, considerou que tais afirmações "não têm fundamento." Mais violenta foi a reacção da eurodeputada socialista Ana Gomes: "[as afirmações] não nos intimidam, já que vêm de um grupo anti-europeu, xenófobo, que desconfia de tudo", declarou ao Portugal Diário.
Piers Merchant, assessor de Roger Knapman, citado pelo semanário Sol, refere que o Governo inglês se tem envolvido no apoio ao casal McCann porque "Portugal não tem uma verdadeira tradição de direitos civis, liberdades e democracia".
"As acusações feitas ao sistema judicial português e à Polícia Judiciária não têm qualquer fundamento e são até contraditórias com o que o Governo inglês e a Polícia desse país [Inglaterra] têm afirmado", reagiu o PGR à agência Lusa. "Esse senhor é, acima de tudo, inculto. Se pensa que Portugal está às ordens de Inglaterra, está muito enganado. São tiques de alguém que já teve um Império e que o perdeu. Não somos, nem seremos criados dos ingleses". Esta foi a reacção do presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária, Carlos Anjos. Na missiva, o eurodeputado acusava a PJ de ter conduzido uma investigação "falhada" desde o início, além de fazer alusão a "reflexos" do anterior regime. "Quem está a sair mal de toda esta situação é Inglaterra e os ingleses. A sua soberba e sobranceria estão a vir ao de cima, parecem enervados com alguma coisa. E não é seguramente o facto de não se saber o que aconteceu a Madeleine".
Carlos Anjos insiste ainda que, para a PJ, o caso Maddie "foi, é e será sempre um caso de investigação criminal. Há-de produzir resultados.". Já para Inglaterra, e principalmente para os pais da criança desaparecida, "foi e será, ao que parece, outra coisa que não um caso de polícia. Basta ver que em Inglaterra desaparecem por dia três crianças, das quais uma não é encontrada".
Edite Estrela, coordenadora dos deputados do PS no Parlamento Europeu, afirma: "A própria postura desse eurodeputado em relação à UE [quer o Reino Unido fora] é reveladora da sua idoneidade. Não lhe reconheço autoridade de qualquer natureza para fazer acusações à Justiça portuguesa. Confiamos plenamente na PJ. Dizer mais qualquer coisa era valorizar essas declarações excessivamente". Por seu lado, a eurodeputada socialista Jamila Madeira acusou o colega inglês, do grupo independente democrata, de assumir uma posição "abusiva em todos os contextos, que manifesta descontextualização e desconhecimento total da realidade portuguesa".
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