por
CÁTIA ALMEIDA
GONÇALO BORGES DIAS (imagem)
"Estou aqui desde as 16.00. Tenho uma prótese na perna e não posso estar de pé." Noémia Benavente, 75 anos, estava visivelmente cansada às 22.15, na terça-feira, seis horas depois de ter chegado à porta da loja da TMN, no Parque das Nações, para comprar um telemóvel topo de gama por seis euros.
Apesar de ter marcado presença cedo - as vendas só iam começar às 21.00 -, Noémia não conseguiu levar o aparelho para casa. Havia apenas 250 telemóveis para vender a preço de desconto para mais de 2000 pessoas que acorreram ao estabelecimento da operadora.
"Quando distribuíram as senhas, às 20.00, foi a confusão total. As pessoas atropelavam-se umas às outras, e muita gente passou à frente. Eu como estou com uma prótese tive medo e fugi." Ao lado de Noémia, Emília Costa, 33 anos, diz que os ânimos só se acalmaram quando veio a polícia. "Fiquei contente por a ver chegar, estava tudo descontrolado."
A revolta foi tal que a multidão começou a entoar "Vodafone, Vodafone", chamando pela marca concorrente à porta da TMN. No meio dos mais indignados estavam André Rijo e Carlos Santos, ambos estudantes universitários. "Chegámos às 18.00 e garantiram-nos, depois de fazerem uma contagem, que teríamos direito a um telemóvel. Mas a distribuição das senhas foi de tal forma desorganizada que passaram pessoas à nossa frente e já não conseguimos ficar entre os primeiros 250."
Os dois estudantes ainda pediram o livro de reclamações, mas de nada serviu. "Tanto a polícia, como os responsáveis da loja mandaram-nos vir amanhã, hoje não aceitam reclamações", afirmaram.
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