por
EVA CABRAL e JOÃO PEDRO HENRIQUES
RODRIGO CABRITA-ARQUIVO DN (imagem)
Imagine-se que hoje Pedro Santana Lopes critica José Sócrates sobre as controvérsias correntes no ministério da Educação. Aí o primeiro-ministro terá de imediato ao seu dispor uma cábula com os problemas da abertura do ano lectivo de 2004/2005, era Santana Lopes primeiro-ministro. "Milhares de alunos e professores ficaram de molho até Novembro por causa de um problema num computador", recordou ao DN um colaborador de José Sócrates.
Hoje, o primeiro-ministro e o novo líder parlamentar do PSD defrontam-se pela primeira vez no plenário parlamentar desde que Santana assumiu a chefia da bancada "laranja". É um debate raro entre um chefe de Governo e um ex-chefe de Governo. Os dois disputaram o cargo de primeiro-ministro em Fevereiro de 2005.
O primeiro-ministro preparou-se com afinco. Colaboradores seus andam há semanas a recolher material sobre Pedro Santana Lopes. O staff de Sócrates inclui especialistas em pesquisa de informação, como José Almeida Ribeiro, seu adjunto, quadro do SIS. O material recolhido vai mesmo, segundo o DN soube, ao mandato de Santana na Câmara Municipal da Figueira da Foz (1997-2001). Mandato marcado, aliás, por uma auditoria arrasadora do Tribunal de Contas. Sócrates tem portanto em sua posse um dossier sobre Santana. Com vários separadores.
A expectativa sobre o debate é enorme e ontem, na TSF, Pedro Santana Lopes encarregou-se de a fazer aumentar ainda mais. "Um novo ciclo", disse, a propósito do debate de hoje. E acrescentando uma referência de memória de enorme peso: foi em 6 de Novembro de 1985 que tomou posse o primeiro Governo liderado por Cavaco Silva, um "novo ciclo" na vida do país, segundo Santana.
Ontem, Luís Filipe Menezes , o ausente mais presente no debate de hoje, garantiu que existe "uma grande coesão" entre a direcção do PSD e a bancada do partido. O objectivo comum é "criarem o máximo de dificuldades ao governo".
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