por
PAULA CORDEIRO
Jardim Gonçalves cedeu perante a pressão dos últimos dias e optou por pagar a dívida do seu filho Filipe ao Banco Comercial Português (BCP). Mas não pediu a demissão, como alguns exigiam. O pagamento da dívida das empresas de Filipe Vasconcelos Jardim Gonçalves concretizou-se na passada sexta-feira. Ao que o DN apurou, o pagamento foi de 10 milhões de euros e não de 12 milhões, valor inicialmente declarado incobrável em 2004, uma vez que, entretanto, foi recuperado parte desse valor com a venda de património afecto às sociedades em causa.
Ontem, a meio da tarde, a SIC Notícias anunciava o pagamento da dívida e a demissão iminente de Jardim Gonçalves. Ao final da tarde, no entanto, o banco desmentia, em comunicado, a intenção do seu fundador de se demitir, não fazendo qualquer referência ao pagamento da dívida. O BCP informava, laconicamente, que sobre a demissão de Jardim da presidência do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) "faz-se público que tais notícias não têm fundamento".
A explicação para um comunicado desta natureza é simples: o banco teve de se explicar perante a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) no que respeita a uma eventual demissão, o mesmo já não sendo necessário em relação ao pagamento da dívida, não considerado facto relevante.
Jardim Gonçalves não terá tido dificuldades em liquidar uma dívida deste valor ao BCP. O banqueiro é detentor de uma avultada fortuna pessoal. O pagamento poderá ter sido feito através da venda de acções ou mesmo de um empréstimo contra uma garantia de acções. Ninguém acredita que o banqueiro registasse alguma dificuldade em liquidar o montante em questão.
Quanto à forma como o banco irá inscrever nas suas contas os dez milhões de euros, tudo indica que o valor será contabilizado como um ganho extraordinário já que o banco tinha utilizado provisões para fazer face ao crédito incobrável.
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