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MARKUS SCHREIBER-AP (imagem)
A polémica desencadeada pelo Nobel da Medicina e "pai" da estrutura do ADN James Watson, com as suas declarações sobre a "inteligência inferior dos negros", parece longe do fim. Depois de um duro comunicado, condenando as suas afirmações, o instituto Cold Spring Harbour, que o Nobel dirigiu muitos anos e do qual era actualmente chanceler, suspendeu-o ontem do seu cargo. E no Reino Unido, onde o cientista norte-americano se encontra para promover o seu novo livro, há a hipótese de mais um cancelamento da sua aparição pública na próxima semana, no Festival de Ideias de Bristol.
De acordo com os organizadores, manter o evento dependerá de uma explicação aceitável por parte de Watson sobre as suas declarações. O Nobel veio ontem pedir desculpas, num artigo publicado no Independent, "àqueles que deduziram das minhas palavras que África, como um continente, é de alguma forma geneticamente inferior". E sublinhou: "Só posso desculpar-me sem reservas. Não era isso que eu pretendia dizer." E assumiu que "não existem bases científicas para tal afirmação". Negando acusações de racismo da sua parte, Watson adianta, no entanto, que "ainda não sabemos adequadamente de que forma os diferentes ambientes do mundo seleccionaram os genes que determinam a nossa capacidade de fazer coisas diferentes". O cientista nota a propósito que "o desejo" da sociedade de assumir que iguais poderes de raciocínio são uma herança universal da humanidade "não é suficiente". Isso "não é ciência", conclui.|
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