por
João César das Neves
professor universitário
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
O eng. Fernando Pinto, presidente da TAP, declarou recentemente que a solução de manter o aeroporto da Portela e complementá-lo com um outro menor seria um erro. O responsável pela companhia quer ver resolvido rapidamente o problema da saturação aérea que já se verifica em Lisboa, mas a única solução que considera é a de um grande aeroporto novo, embora não se pronuncie quanto à localização.
Evidentemente que tem razão. A sua análise está perfeitamente correcta e entra em conta com todos os factores. Todos menos um: o custo. Dado que não é ele nem a sua empresa quem paga a nova infra-estrutura, podem exigir com toda a calma o que mais lhes agradar. Depois o País trata da factura.
No fundo o que o presidente da TAP diz é que prefere um aeroporto grande a dois médios, coisa que toda a gente entende. A única razão por que alguém sugeriu esta segunda hipótese, evidentemente pior, é porque já temos um aeroporto médio em excelentes condições, onde aliás acabaram de se fazer obras substanciais e dispendiosas. Dado esse facto irredutível, fica muito mais barato construir um outro pequeno aeroporto de apoio que demolir o que temos e fazer de raiz um maior. Isto também toda a gente entende. É precisamente a mesma razão por que tanta gente compra carros pequenos em segunda mão quando seria muito melhor andar de Ferrari novo.
Como é caro e o País não é rico, parece razoável resolver temporariamente a saturação da Portela desviando tráfego para um local alternativo. Esse, se for bem escolhido, pode um dia crescer e substituir o actual em maiores dimensões. Mas dando tempo para ir juntando dinheiro. Claro que isso cria problemas temporários à TAP e aos passageiros. Mas quem não é rico vive como pode.
A TAP foi ao longo das últimas décadas um dos brinquedos mais caros do País. As Finanças iam avançando para tapar os prejuízos que se sucediam, como as dívidas de um miúdo birrento que gasta mais que a mesada. Havendo vários buracos públicos tão ou mais custosos, a coisa ficava disfarçada. Mas não deixava de ser vergonhoso o que a empresa ia exigindo ao Orçamento do Estado para pagar incompetências e requintes com os impostos dos pobres.
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