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Apelo à leitura marca homenagem a Aquilino

por

ISABEL LUCAS  

"Porquê Aquilino e não Sophia ou Torga?", ouviu-se

Quem lê hoje Aquilino Ribeiro? O que sabem as novas gerações sobre o autor de A Casa Grande de Romarigães, O Malhadinhas ou Quando os Lobos Uivam? Não houve respostas, nem sequer foram feitas as perguntas. No entanto elas estiveram subjacentes em quase todas as intervenções oficiais que marcaram, ontem, a trasladação dos restos mortais do escritor para o Panteão Nacional.

A relação entre Aquilino Ribeiro e as gerações mais novas foi mesmo uma das ideias base no discurso de Cavaco Silva. Considerando-o um "escritor do Mundo", o presidente da República classificou-o como "um dos grandes prosadores da literatura portuguesa do século XX" e apelou a que a sua obra "continue a ser lida e acarinhada pelas gerações futuras". Ao contrário do que acontece, por exemplo, com Almeida Garrett - outro dos escritores que está no Panteão -, nenhum dos livros de Aquilino Ribeiro é obrigatório nos manuais de português.

O acto oficial foi marcado por discursos elogiosos ao autor de A Casa Grande de Romarigães. "Deleitamo--nos com os seus arcaísmos e os seus regionalismos porque nos revemos neles. E porque, apesar do decurso do tempo, continuamos a encontrar o homem português em cada página dos grandes livros de Mestre Aquilino", afirmou Cavaco Silva. António Valdemar, o jornalista que leu o elogio fúnebre, preferiu destacar a faceta política do escritor: "Aquilino fez da escrita um espelho do mundo e uma arma de intervenção. Foi (e é) exemplo de fidelidade à terra, de fidelidade à língua portuguesa, de fidelidade à República e à liberdade."

Intervenções elogiosas na cerimónia oficial que contrastam com algumas denúncias. Nomeadamente de Diogo Castro Mendes. O professor de filosofia aponta o nome do escritor como um dos que estiveram envolvidos na morte do rei D. Carlos. Aos microfones da TSF , o catedrático questionou mesmo a razão da trasladação de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional, "honra" que não foi dada a autores como Sophia de Mello Breyner ou Miguel Torga.


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