por
Ferreira Fernandes
Ontem foi dia 11 de Setembro. Mas para alguns foi 11 de Setembro mas. Como se não fosse possível dizer, perante a enormidade do facto, o facto. Sem mas nem meio mas. Ontem foi 11 de Setembro. Ponto. Foi dia de recordar que um lugar de todo o mundo - sim, um lugar de todo o mundo, mesmo, não uma metáfora, lugar de americanos nados, uns, e, outros, nascidos da vontade de reconstruir a vida num país que acolhe (releia-se a lista das nacionalidades dos mortos) -, esse lugar, foi atacado pela parte mais estúpida do mundo. Quando isso aconteceu fez-se uma quase unanimidade hipócrita: somos todos nova-iorquinos. Depois, com o tempo, alguns começaram a pôr os corninhos de fora e deixando cair: "Os americanos estavam a pedi-las..." Ontem, outra vez, voltaram os adversativos. Ainda bem, define os três campos. Os que estão com os que estavam nas Torres Gémeas, os que atacaram as Torres Gémeas e os que não contam. Diziam estes, ontem: "11 de Setembro mas..."
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