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Maria de Jesus celebrou 114 anos com um prato de arroz-doce

por

JACINTA ROMÃO  

A segunda mulher mais velha do mundo fez ontem 114 anos

A festa de aniversário não ia ter comparação com a dos 113 anos, mas a sobremesa preferida de Maria de Jesus - arroz-doce - não faltou na mesa posta para comemorar os seus 114 anos, ontem em Corujo, Tomar. É agora a segunda mulher mais velha do mundo, a seguir à norte-americana Edna Parker. No ano passado teve que apagar as velas três vezes para as câmaras das televisões.

Ninguém acreditará, sem a confirmação da família, que aquela mulher já viveu em três séculos. Ao vivo parece muito mais nova do que nas fotografias e o olhar, mesmo sendo cega de um olho - devido a um acidente quando era criança -, deixa perceber que reconhece as pessoas e sorri quando aparecem aqueles que de que mais gosta, familiares ou não.

Pouco conversa, mas isso não se deve a qualquer problema do foro neurológico ou da fala; foram os ouvidos que a traíram e a alheiam do mundo. Como não ouve, "deixou de se interessar pela televisão e já nem quer ver a missa a que costumava assistir", explica a filha, Maria Madelena, de 83 anos, que lhe dedica a sua vida há 17. Madalena "julgava que ia passar o dia de ontem só com a família mais directa", mas por volta da hora do almoço, já havia várias pessoas que não eram esperadas como o irmão Manuel (dois anos mais novo) que mora em Corroios. Maria teve seis filhos, dos quais tem 11 netos, 16 bisnetos e cinco trinetos.

Aos 114 anos ainda mostra grande força interior e uma vontade própria que a maioria dos idosos com a idade da filha não têm. Madalena traça, de algum modo, a força de carácter da mãe ao contar que "ela (e nós) passou por tudo o que de mau trouxeram os tempos da sua idade adulta", como a guerra em Espanha e a Segunda Grande Guerra. A vida e os lugares onde Maria nasceu e tem passado a sua vida não lhe permitiram saber ler. Já com mais de cem anos ainda estava disposta a ter aulas e disse que queria aprender. Quiseram fazer-lhe a vontade e um professor foi lá a casa durante uns meses, "só que ela já não conseguiu", lamenta a filha.


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