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PEDRO CORREIA
O tom será de crítica frontal ao Governo. Haverá apupos a José Sócrates e à política "de direita" do seu Executivo, em duas intervenções de Jerónimo de Sousa. E também muita música, para cumprir a tradição. É a 31.ª edição da Festa do Avante!, que decorre a partir de hoje e até domingo na Quinta da Atalaia, Seixal.
Este ano a festa comunista vai assinalar o 90.º aniversário da revolução de Outubro com um conjunto de iniciativas - uma cantata de Prokofiev, uma exposição e um debate sobre a "actualidade do projecto comunista" a partir da experiência da União Soviética (que vigorou entre 1917 e 1991). Nostalgia de um regime que implodiu com a perestroika? Ruben de Carvalho, principal responsável pela festa desde a primeira edição, em 1976, rejeita esta versão. "Não preciso de ter nenhuma nostalgia soviética para lembrar a Revolução de 1917", diz ao DN o vereador comunista da Câmara de Lisboa.
Outro ponto alto será a homenagem do partido a um militante falecido em 1982: Adriano Correia de Oliveira será evocado num espectáculo especialmente concebido para esta festa, com a participação de Manuel Freire, a Brigada Victor Jara e o Grupo dos Antigos Orfeonistas de Coimbra (sábado, às 18 horas, no Palco 25 de Abril). "A nossa luta continua timbrada pelo canto livre de Adriano Correia de Oliveira", salienta Jerónimo de Sousa ao DN.
Nenhuma outra iniciativa política em Portugal se compara à Festa do Avante! "A festa caracteriza-se pelo convívio, pela gastronomia e por uma grande transversalidade do ponto de visto cultural, social e etário", observa Ruben de Carvalho.
Mas o prato forte, como de costume, será a política. O secretário-geral do PCP abre hoje a festa, às 19.00, com as primeiras críticas ao Governo. Criticas que serão acentuadas no seu discurso de encerramento, ao fim da tarde de domingo. O teor das palavras de Jerónimo de Sousa é já de algum modo antecipado no editorial da revista que o partido editou para esta edição da festa. Um texto em que se critica duramente José Sócrates por desferir um "ataque feroz aos direitos dos trabalhadores e às liberdades políticas". O editorial - escrito pelo director do Avante!, José Casanova - denuncia os "sinais de cariz fascizante" do Governo socialista, que prossegue a "política de direita" de executivos anteriores.
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