por
João Miranda
investigador em biotecnologia
jmirandadn@gmail.com
Os organismos geneticamente modificados (OGM) são obtidos por introdução de um gene no genoma de um organismo já existente. O objectivo é obter organismos com novas características que tenham vantagens económicas e/ou ambientais. Os OGM que estão no mercado foram aprovados pelas autoridades reguladoras tendo em conta os riscos conhecidos (que foram considerados aceitáveis).
Os críticos dos OGM não têm argumentos suficientes para os contestar com base nos riscos conhecidos. Habitualmente recorrem ao fantasma dos riscos hipotéticos que ainda não conhecemos. Defendem uma filosofia de risco mais conservadora que a filosofia seguida pelas autoridades reguladoras. Defendem que, dado que os seres vivos e os sistemas ecológicos são demasiado complexos, não devemos introduzir inovações artificiais com efeitos desconhecidos e potencialmente prejudiciais à saúde humana ou ao ambiente.
A abordagem conservadora dos críticos dos OGM tem dois problemas. Em primeiro lugar, os conservadores só o são nesta matéria específica. Mas, para funcionar, o conservadorismo tem de ser uma receita universal em relação a todos os riscos desconhecidos. Quem for conservador em relação aos OGM tem forçosamente de o ser em relação a outras inovações tecnológicas ou sociais. Quem for contra um tipo de inovação porque ela interfere com o desconhecido, tem de ser contra todas, porque não é possível saber a priori qual é que dará origem a um desastre. Em segundo lugar, o conservadorismo conduz a sociedade à estagnação. Uma sociedade que não corre riscos desconhecidos também não colhe os benefícios da inovação.
A alternativa a uma sociedade conservadora em relação ao risco é uma sociedade aberta à inovação em que o risco é voluntário e compartimentado. Uma sociedade que se divida espontaneamente em compartimentos individuais ou regionais estanques ao risco tem vantagens significativas sobre uma sociedade 100% conservadora. Os inovadores que decidam correr o risco de incluir os OGM na respectiva alimentação poderão beneficiar de preços mais baixos ou de alimentos com vantagens para a saúde. Se as autorizações para plantação de OGM forem atribuídas ao nível regional, as regiões que optem por permitir o seu cultivo poderão beneficiar de uma importante vantagem económica. Claro que os inovadores arriscam-se a sofrer as consequências para a saúde e para o ambiente dos OGM. Mas a compartimentação permite que os conservadores aprendam, sem risco, com a experiência dos inovadores. Se a experimentação revelar que os riscos são menores que aqueles que os conservadores temiam, os conservadores poderão aderir à inovação. Se a experimentação se revelar problemática, os inovadores acabarão por se tornar eles próprios mais conservadores.|
UE impõe condições para Grécia obter resgate
1500 polícias desistem da farda em três anos
Cinco agências de publicidade na corrida à Galp
Ritmo de reformas na CGA está a abrandar
2011 foi o segundo melhor ano para sapatos portugueses
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
O homem que recusou saudar os nazis
Príncipe Harry coroado "Top Gun"
Souza no Grémio é desilusão para os adeptos do Vasco
Senhorio obrigado a realojar em caso de obras
Mulher obrigava mãe de 77 anos a viver fechada na garagem
Vila do Conde: Câmara dá tolerância aos funcionários no Carnaval
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN