Acha que este tipo de programas potencia a agressividade e a violência nas crianças?
A agressividade é um movimento adaptativo que faz bem à saúde. Todos nós somos potencialmente agressivos, e o que é saudável é sermos agressivos com maneiras. Mais do que actuarmos de uma forma falsa. São os sentimentos reprimidos, as agressividades reprimidas, que depois se transformam em violência. São as interacções educativas que criam as redes que permitem às crianças expressar essa agressividade de uma forma saudável. E são as grandes distorções educativas que geram as crianças, ou as pessoas, violentas. Essas crianças vêem na violência televisiva um instrumento que lhes permite expressar aquilo que não conseguem expressar de outra forma, e que é fruto da violência familiar em que vivem. As crianças saudáveis vêem este tipo de programas com um sorriso nos lábios, da mesma forma que nós víamos os programas da Disney em que o coelho se estatelava no chão.
Qual deverá ser, então, o papel dos pais relativamente a este e outro tipo de programas? Devem preocupar-se?
Os pais devem ser a verdadeira autoridade para o meio audiovisual. Não podem demitir-se dessa função e devem ter uma opinião. E é importante que façam o paralelo com as séries da sua infância. A geração Disney não é assim tão diferente da geração Tartarugas Ninja. Se os pais, em consciência, acham que há programas que os filhos não devem ver, então os filhos não devem ver esse programas. Mas não vale a pena pensar que as crianças são débeis mentais. Não é por ver o Super-Homem na televisão que uma criança se vai mandar pela janela. No entanto, a televisão não pode ser uma espécie de baby-sitter. A obesidade televisiva faz mal, e os pais têm de reservar para si o direito de carregarem no botão e desligarem a televisão.
E o que pensa, genericamente, da programação televisiva de hoje em dia?
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