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Metade do que ardeu este ano era área protegida

por

ELSA COSTA E SILVA  

Proporção foi a mais alta registada no conjunto dos países Europa do Sul

Os incêndios florestais pouparam Portugal no início deste Verão, mas, ainda assim, o País não conseguiu evitar que as chamas atingissem as áreas naturais protegidas. Do total de área ardida até 31 de Julho, cerca de 46% atingiram zonas da Rede Natura. Os dados pertencem ao Sistema de Informação Europeu sobre Fogos Florestais (EFFIS), um programa da Comissão Europeia (CE).

O primeiro relatório do EFFIS para 2007 assinala o período positivo que o País tem enfrentado, sendo um dos menos afectados dos cinco países da Europa do Sul tradicionalmente atingidos pelo drama dos fogos florestais. Melhor do que Portugal, que registou apenas 2810 hectares de área ardida em grandes incêndios, só o Sul de França, com 2091.

A situação foi particularmente grave em Itália, onde arderam mais de 86 mil hectares, e na Grécia, com 81 mil atingidos. Ainda assim, e proporcionalmente, os desempenhos, no que respeita a áreas protegidas, foram mais favoráveis: apenas 20% da área ardida italiana foram na sua Rede Natura e nos helénicos o valor só chegou aos 14,5%. Em Espanha, onde a situação foi menos dramática (com apenas 8544 hectares ardidos), só 21,5% afectaram zonas protegidas. Pelo que o comportamento português no combate a fogos florestais foi o menos eficiente no que diz respeito à salvaguarda das áreas protegidas. O DN tentou sem sucesso ouvir o Instituto da Conservação da Natureza, que tutela a Rede Natura, sobre esta matéria.

O EFFIS é um sistema de mapeamento, baseado em dados meteorológicos e imagens por satélite, que fornece dados sobre o risco de incêndio, bem como avaliações rápidas de danos causados pelas chamas, para áreas superiores a 50 hectares. Os mapas de risco são enviados diariamente aos serviços florestais e de protecção civil de cada Estado. O sistema foi desenvolvido pelo Centro Comum de Investigação, o braço científico da CE, e é coordenado por Paulo Barbosa, um investigador português a trabalhar nas instalações de Ispra (Itália).


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