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Alunos galegos sem vaga querem excluir portugueses da Medicina

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PAULO JULIÃO, VIANA DO CASTELO  

Os alunos galegos que ficaram fora do curso de Medicina da Universidade de Santiago de Compostela (USC) anunciaram, este fim-de-semana, a criação de uma comissão de "não admitidos", para exigir a impugnação das inscrições feitas por estudantes da União Europeia, sem a prova de selecção espanhola. O objectivo é travar a "invasão lusa" daquela universidade, que poderá ocupar até 60 das 300 vagas disponíveis para o novo ano lectivo.

Os alunos não admitidos criticam a reitoria da USC por não ter travado o acesso dos portugueses às vagas através de exames de língua espanhola, como o fizeram outras universidades de comunidades autónomas espanholas. Isto porque, com a aplicação do Processo de Bolonha, os alunos da UE passam agora a concorrer directamente por todas as vagas, abrindo-se, no caso dos portugueses, uma importante porta para o curso de medicina, mas na Galiza.

Dezenas de alunos e pais galegos dizem-se "prejudicados" pela situação e já apresentaram um recurso à comissão de universidades da Galiza. Exigem a suspensão das pré-inscrições de todos os estudantes da UE sem a prova de selecção espanhola ou conhecimento linguístico de galego e castelhano. Em alternativa, só admitem a criação de um total de novas vagas igual ao número de alunos admitidos sem aqueles requisitos linguísticos. Garantem que "não está em causa" o acesso de estudantes estrangeiros à USC, mas que o mesmo aconteça "em igualdade de circunstâncias", para "não desequilibrar o sistema universitário".

A reitoria apela "à calma" e acredita que o número de portugueses que concretizarão a matrícula ficará significativamente abaixo dos pré--inscritos. Mas os não admitidos acusam a a universidade de não ter acautelado a situação.

É que, garantem pais e alunos, as exigências linguísticas, previstas pelas novas regras, já foram aplicadas este ano em universidades da Andaluzia e Extremadura, invocando, como é o caso da Galiza, a condição de comunidade limítrofe para tentar filtrar o acesso de estrangeiros.


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