por
ALFREDO TEIXEIRA
AMIN CHAAR (imagem)
"Há grande rivalidade entre os grupos de seguranças. É como as claques de futebol, quando se encontram há sempre porrada!". A explicação pertence a Sérgio, de 22 anos, que presta serviços em discotecas do Porto. Passa os dias num ginásio a fazer musculação e à noite trabalha como segurança sempre que "o pessoal telefona a pedir gente". O sector funciona como uma "mafia bem organizada", dizem as autoridades, e as tentativas de controlarem os estabelecimentos de diversão nocturna esbarram muitas vezes na cumplicidade dos empresários, receosos de represálias e coniventes com os métodos.
Os confrontos na noite portuense entre grupos rivais acontecem com frequência mas só chegam ao conhecimento público quando no meio de um tiroteio alguém morre ou fica ferido. Só nesses casos é que PSP e PJ são chamadas e fazem o registo das ocorrências e investigações, não sabendo as entidades que fiscalizam o sector como travar uma onda de violência que, nos últimos meses, tem ganho contornos trágicos.
Os grupos mais novos tentam ganhar espaço aos mais velhos num meio cada vez mais concorrido. "É uma situação que sempre existiu, só que agora há mais grupos, bem organizados, com pessoal angariado nos bairros sociais e que andam sempre armados", afirmou ao DN um dos seguranças que trabalha no ramo há oito anos, com formação, e que todas as noites controla a porta de uma das discotecas mais famosas localizadas na zona industrial do Porto. "O problema neste momento é exactamente esse e começa a ficar sem qualquer controlo. A gente nunca sabe quando eles aparecem aqui armados e desatam num tiroteio, no sentido de nos minorizar e assim pressionar o dono do estabelecimento a contratá-los", acrescentou.
180 euros por noite
"Pratico culturismo mas há o grupo do boxe e muitos outros. Faço exercício para manter a forma física e ganhar respeito. Não é para bater em ninguém", relata Sérgio.
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