por
DAVIDE PINHEIRO
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Aimee Mann é exactamente aquilo que a sua música reflecte. Há uma extrema timidez por trás de cada resposta da norte-americana, o que, por vezes a leva a responder apenas "sim", mais até do que "não". Não se trata de qualquer manifesto de antipatia ou de falta de interesse pela curiosidade jornalísitica, mas antes uma defesa natural para quem não parece muito à vontade com as questões exteriores à criação e sua interpretação, neste caso.
Hoje, no Coliseu dos Recreios, Aimee Mann estreia-se em Portugal, numa fase em que a sua popularidade está longe de ser o que em tempos foi. Mas, tal como diz Mann, esta é uma "oportunidade para mim num país do qual já ouvi falar muito mas que nunca visitei", confessa. Desta vez, traz consigo novos músicos a acompanhá-la, "o que é excitante", e também uma série de temas "inéditos" a incluir num novo álbum "que não será conceptual" e que ainda não está gravado.
Todavia, grande parte do alinhamento deverá conter temas já escutados entre o seu público "porque são esses que as pessoas conhecem", diz, falando especialmente das canções de Magnolia. Ainda assim, estão prometidos "arranjos diferentes dos originais" para que não haja um efeito de repetição face às gravações de estúdio já conhecidas em disco
Para Aimee Mann, "cada canção conta uma história", sendo posteriormente "interpretada à maneira de cada um". A alegria, essa, fica para outros trovadores, porque aqui não há relatos "sobre festa". Daí que o palco do Coliseu dos Recreios, grande e intimista, seja um espaço privilegiado para ouvir uma música terna e bela, mas que emana fragilidade. Dir-se-ia que quase todas as canções de Aimee Mann nos poderiam ser sussurradas ao ouvido.
Apesar desta personalidade reservada, para Aimee Mann, actuar nos grandes festivais não constitui para ela um problema, mas é em lugares como o Coliseu, onde o público está confortavelmente instalado, que a sua prestação pode ganhar um outro poder de sedução . "Não me assusta estar perante muita gente, apesar de ser tímida, o que está muito presente na minha música, mas prefiro um palco onde possa ver a cara das pessoas. Como espectadora, também gosto de ir a concertos onde possa ver os cantores bem de perto para lhes poder sentir o pulso", admite, sem receio.
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