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CLÁUDIA ROCHA MONTEIRO, Almada
As bolas-de-berlim e outros produtos alimentares de venda ambulante nas praias são o próximo alvo da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), que promete fiscalizar as condições em que se vendem estes produtos por todas as praias do país durante este Verão. Decisão que assusta alguns vendedores que não cumprem as regras de higiene e segurança exigidas.
"Ando aqui a vender há 25 anos e nunca tive licença", conta ao DN Rogério Rodrigues, 48 anos, vendedor ambulante de gelados nas praias da Costa de Caparica (Almada). Rogério garante, no entanto, que tem condições, só lhe falta é a licença. "Agora até tenho este carrinho da Olá com óptimas condições para transportar os gelados e as bebidas, muito melhor que aquelas malas térmicas, mas agora que quero uma licença não ma passam", lamenta.
Rogério trabalha para um concessionário de praia durante a época balnear e vende "entre 20 a 50 gelados por dia". No Inverno vende castanhas em Lisboa onde garante "é sempre a fugir à polícia, porque também não passam licença".
Mais preocupado estava outro colega, este dedicado à venda de Bolas de Berlim e línguas da sogra. "Se a ASAE vier é complicado, porque este é o único emprego que tenho o ano todo", sublinhou o vendedor que preferiu não se identificar. "Costumava vender gelados, mas as vendas quebraram muito e virei-me para as bolas-de-berlim, que rendem mais, mas também vai ser de certeza com o que a ASAE mais vai embirrar, por causa do creme", prevê.
"Mas veja lá se as bolas de-berlim não estão bem acondicionadas", diz mostrando à equipa de reportagem do DN os bolos dispostos num tabuleiro de pastelaria, que transporta ao ombro com o auxílio de um alça. "Compro-as numa pastelaria de Vale Figueira, são de qualidade, acrescenta." Aqui, cada bola-de-berlim custa 1,30 euros, uma língua da sogra 0,50 euros e um pacote de batatas fritas um euro.
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