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RUDOLFO REBÊLO
Os salários dos portugueses caíram 0,7% no ano passado, revelou ontem o Banco de Portugal, que mantém para este ano a estimativa de crescimento da economia em 1,8% e revê em ligeira alta - para 2,2% - o aumento do PIB em 2008. O investimento caiu 2% em 2006 mas agora, após a retoma das exportações, será um dos motores da economia.
Foi a "surpresa inflação" ao crescer 3% que provocou a redução dos salários reais, declarou Vítor Constâncio, ontem na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, ao divulgar o boletim económico de Verão. A redução dos salários reais dos portugueses, já detectada em Maio pela Comissão Europeia, implicou um abrandamento do rendimento disponível o que acabou por afectar o consumo das famílias.
Fustigados pelo peso do endividamento, em quatro anos os portugueses viram os salários reais caírem 0,1% e em 2007 vão usar novamente as poupanças para alimentar o consumo, à semelhança do que sucedeu em 2006. O Banco só espera uma recuperação da taxa de poupança em 2008 e, até lá, diz, o aumento das taxas de juro por parte do BCE, "tenderão a reflectir-se nas decisões de consumo e investimento das famílias". Mais vulneráveis, afirmou Vítor Constâncio, estão os extractos populacionais "com rendimentos mais baixos". Mas, o contributo do consumo para o acréscimo da actividade pode vir pelo aumento do emprego - 0,7% no ano passado - "o que já não acontecia há muitos anos", afirmou Vítor Constâncio.
Até 2008, os portugueses continuam a afastar-se do nível de vida dos europeus. Portugal cresce abaixo da média da zona euro, mas pelas contas do banco central, o país está a recuperar graças a um maior contributo da procura interna, já que as exportações vão desacelerar em linha com a procura externa. As vendas ao exterior continuam a ganhar quotas de mercado, explicado por uma "revolução" no tecido industrial e pelo turismo (serviços).
Ao cortar na despesas - nos salários, investimento e compras à economia - a contracção orçamental está a "roubar" 0,5 pontos percentuais ao crescimento da economia, mas o sector empresarial está a despertar e já regista uma expansão de 2,2% um valor acima do estimado para o PIB (1,8%).
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