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Porto de partida

por

SÉRGIO PEREIRA

LUÍS COSTA CARVALHO (imagem)  

Um dos mais antigos circuitos portugueses volta a ser um ponto de referência do automobilismo. Trata-se de 4720 metros de puro prazer para os amantes de emoções fortes e velocidades loucas. Todos eles percorridos pelas ruas citadinas do Porto chique, do Parque da Cidade até à Foz, da Avenida da Boavista à fronteira de Matosinhos Sul, a velocidades que podem atingir os 200 km/hora. Para a piada ser maior, os carros são de turismo. Carros de todos os dias, portanto.

O Circuito da Boavista foi inaugurado em 1933, desde então evoluiu das duas longas rectas iniciais na Avenida da Boavista até ao desenho actual de acordo com as normas FIA grau 2. Foi ressuscitado em 2005, após 45 anos de inactividade, para receber o Grande Prémio Histórico, cresceu ao ponto de ter ganho a corrida por uma prova do Mundial de Carros de Turismo (WTCC) e assegurou já a presença desta que é a terceira competição mais importante da FIA pelo menos até 2009.

A louca passagem da WTCC pelo Circuito da Boavista começa hoje, com os primeiros treinos livres, e vai até domingo, dia em que a competição a sério entra em pista em duas provas de 11 voltas, num total de 51,7 km cada. A concretização de uma ilusão sonhada em 2003, quando Rui Rio e Francisco Santos (homem forte da Talento, a empresa promotora) ambicionaram colocar o Porto no mapa das mais importantes provas internacionais de automobilismo.

Durante 16 meses trabalhou-se a revitalização do circuito, criou-se um traçado diferente, investiu-se num regresso ao Porto de partida idealizado nos anos 30. Três anos depois, a cidade está pronta a receber uma competição que promete ter um impacto económico de 50 milhões de euros, 18,56 milhões dos quais são conseguidos por um impacto directo referente à restauração (13 mil dormidas).

Os restantes 32 milhões de euros referem-se, segundo um estudo da Universidade do Porto, ao retorno mediático. Mais de 400 milhões de lares em cerca de 100 países receberão imagens televisivas da prova, esperando-se que a circulação na imprensa ultrapasse os 100 milhões de exemplares. Números que ajudam a explicar o velho sonho de Rui Rio.


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