por
ELSA COSTA E SILVA
Autarca garante que pagamento aos fornecedores é de 60 dias
Sem meias palavras, o presidente da Câmara de Gondomar atacou ontem o Anuário Financeiro dos Municípios que coloca a sua autarquia na lista das mais devedoras. O estudo sobre as contas de 2005 que está na base do documento, garante Major Valentim Loureiro, tem "erros": confundiu dívidas a fornecedores com dívida de médio e longo prazo e não há uma espera de 506 dias para pagar aos fornecedores.
O autarca não poupou críticas aos autores do estudo, de quem "até se chega a duvidar que sejam académicos". Afirmando ter actualmente uma capacidade de endividamento que chega aos 43 milhões de euros, Valentim Loureiro garante não estar "em bancarrota". Ou seja, "a câmara de Gondomar não está em vias de ser gerida pelo Governo". O autarca apresentou ainda alguns documentos "que não podem ser desmentidos". Valentim Loureiro exige um pedido público de desculpas aos quatro docentes académicos responsáveis pelo estudo apoiado pela Câmara dos Técnicos Oficiais de Conta (CTOC) - ontem apresentado em Lisboa, no âmbito das Jornadas de Finanças e Contabilidade Locais. E se os autores não se retratarem, diz, "é porque não têm vergonha nenhuma".
O estudo foi feito, garante o autarca, "sem qualquer rigor científico" e de forma "ligeira e inqualificável". E se o objectivo é afrontar o responsável pela autarquia, diz ainda o major, "politicamente, não me vêm atingir com grosserias destas", afirmando sentir "revolta" pelos dados apresentados. "Mal vai um País que tem tão pobres académicos", disse ainda.
Um dos problemas deste trabalho, diz Valentim Loureiro, é o facto de incluir nas dívidas de curto prazo da câmara o valor devido à EDP, por facturação não paga entre 1978 e 1988, no total de quase 65 milhões de euros. Uma dívida que foi renegociada em 1997, já com Valentim Loureiro à frente da câmara, para ser paga num plano de 20 anos que "está a ser cumprido". Quanto ao pagamento dos fornecedores, "não temos credores à porta", ironizou Valentim Loureiro. Aliás, explica o autarca, o inquérito de Outono aos prazos de recebimento realizado pela Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas coloca a Câmara de Gondomar entre as 11 melhores pagadoras, ou seja, entre aquelas que liquidam as dívidas num prazo de três meses.
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