O PSD exige o adiamento da decisão final sobre o modelo de negócio do comboio de alta velocidade (TGV), apresentado ontem pelo Governo. Para o maior partido da oposição, a decisão final só deverá ser tomada quando estiver definida a localização do novo aeroporto de Lisboa.
O PSD ataca o modelo de financiamento da futura infra-estrutura proposto que qualifica de "monumental Scut (auto-estrada sem custos para o utilizador). "O modelo de negócio hoje [ontem] apresentado não merece o nosso acordo. Este modelo prefigura uma monumental Scut. Ou seja, o Governo pretende fazer obra hoje e fazê-la pagar mais tarde por outros governos e outras gerações", afirmou o deputado do PSD Jorge Costa, citado pela agência Lusa.
A solução proposta aponta para que o financiamento do Estado ao investimento, que no total é superior a oito mil milhões de euros para as linhas Lisboa/Madrid, Lisboa/Porto e Porto/Vigo, só comece a ser pago a partir de 2013, quando a primeira ligação estiver concluída. O esforço do Estado será ainda diluído ao longo de um prazo de 40 anos de concessão, um esquema que se aproxima do usado para financiar as Scut e que tem representado uma pesada factura para os contribuintes.
No plano ontem apresentado, foi anunciada uma poupança de 600 milhões de euros no investimento previsto em 2005 para as duas principais ligações - Lisboa/Porto e Lisboa/Madrid - que passam a custar 7,1 mil milhões de euros. O Estado fica responsável pela aquisição dos comboios que alugará aos futuros operadores. O modelo divide em cinco concessões a construção e manutenção da futura rede com 600 quilómetros onde está incluída a terceira travessia (ver DN Bolsa). O primeiro concurso na linha Lisboa/Madrid arranca no primeiro semestre de 2008.
A apresentação de uma proposta de modelo de negócio para o maior investimento público português, que a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, diz não estar fechada, suscitou também uma exigência do grupo parlamentar do próprio partido do Governo que quer ouvir o ministro das Obras Públicas no Parlamento a explicar a solução ontem anunciada. Em requerimento à Comissão Parlamentar de Obras Públicas, o PS pediu a presença urgente de Mário Lino para explicar um investimento "extraordinariamente significativo". Para o socialista José Junqueiro, este é "o momento do debate dos vários modelos". Jorge Costa também exigiu a presença do ministro do Mário Lino, tendo alertado que "convém nada decidir de definitivo sobre a execução em concreto da alta velocidade enquanto não houver uma definição final da localização do novo aeroporto". O PSD, que esteve na linha da frente da contestação da escolha da Ota para localização, apelou ainda à realização de um "largo debate público" para chegar a um consenso nacional acerca da rede ferroviária de alta velocidade, lembrando o investimento em causa é quase três vez mais do que custaria o aeroporto.
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