por
ELSA COSTA E SILVA
JORGE MIGUEL GONÇALVES (imagem)
Se a indústria alimentar não deixar voluntariamente de publicitar comida não saudável para crianças, a Comissão Europeia "não terá outra alternativa senão adoptar legislação restritiva". A afirmação é de Markos Kyprianou, comissário europeu para a Saúde, que, em entrevista ao DN, explica que a prioridade actual, tendo em conta a política de combate à obesidade infantil, é ainda tentar um "compromisso voluntário" com os produtores.
O problema, explica o responsável europeu, é que "as pessoas não vivem hoje em bolas de segurança onde as possamos proteger". Por isso, e tendo em conta que existe a Internet e a televisão por satélite, "adoptámos como abordagem tentar que a indústria voluntariamente pare de anunciar comidas não saudáveis para crianças pequenas", como a fast-food. O compromisso ainda não foi alcançado, mas os produtores "sabem que, se fizerem isso, não teremos outra alternativa senão adoptar legislação restritiva no futuro".
Outra matéria importante para o comissário europeu da Saúde é "formar e educar pais para que saibam dizer 'não' aos filhos". A proposta comunitária de combate à obesidade infantil - uma realidade com "números preocupantes na Europa, onde há 21 milhões de crianças obesas ou com excesso de peso" - passa por uma combinação de estratégias. Para além da formação e do controlo da publicidade, Markos Kyprianou quer ainda uma "nova formulação de produtos, de forma a termos ofertas saborosas e também mais saudáveis".
E, para que o consumidor saiba o que está comprar nessa matéria, uma nova legislação, para ser publicada ainda durante a Presidência Portuguesa da União Europeia, vai tornar os rótulos dos produtos mais legíveis e simples de entender. Outra questão que está em cima da mesma é a possibilidade de tornar obrigatória a informação nutricional, nomeadamente a indicação de qual o valor calórico e teores de açúcares e gorduras. O comissário recorda que, em Julho, entra em vigor a obrigação de os produtores provaram primeiro que determinado produto tem alguma vantagem em termos de saúde antes de o publicitarem.
No que diz respeito à obesidade infantil, que todos os anos afecta em toda a Europa mais 200 mil crianças, há ainda que mudar os hábitos: "Temos de introduzir o exercício físico nas escolas de uma forma mais activa e através de jogos divertidos", garante Markos Kyprianou. Esta é apenas uma recomendação, já que a matéria é da competência dos Es- tados membros, mas o comissário alerta para o problema actual: "O exercício não pode ser uma obrigação. O que acontece agora é que as crianças que mais precisam são as que tudo fazem para evitá-lo porque se sentem envergonhadas e não conseguem competir com os outros", conclui.|
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