A Confederação Nacional de Acção Sobre Trabalho Infantil (CNASTI) acredita que o fenómeno tem vindo a diminuir no País. Mas denuncia a persistência, sobretudo nas zonas do Vale do Ave e Sousa, do trabalho para o têxtil e calçado, realizado "dentro de portas e mais complicado de detectar". Recentemente, foi denunciado um caso na construção civil na região do Minho. Mas, nas grandes cidades, alertou, "existem as piores formas de exploração: a prostituição, trafico de droga e pequeno crime".
A propósito do Dia Internacional contra o Trabalho Infantil, que se assinala hoje, a presidente da CNASTI, Ana Maria Mesquita, afirmou ao DN que "o trabalho infantil tradicional na agricultura e na construção civil reduziu muito, porque a sociedade condenou". Mesmo assim, divulgou, recentemente foi denunciado à Linha Verde da CNASTI ( 800 20 20 76) o caso de um jovem de 14 anos a trabalhar na construção civil, na região do Minho. A situação foi encaminhada para a Inspecção-geral do Trabalho e para o Programa de Prevenção e Eliminação da Exploração do Trabalho Infantil (PETI).
Existe ainda outro tipo de "trabalho sazonal" que, alertou, é realizado "dentro de portas e, por isso, mais complicado de detectar": O que, segundo divulgou, acontece sobretudo nas zonas de Lousada e Felgueiras. Localidades onde as crianças cozem, em família, sapatos à mão, depois do horário escolar. "Não se trata da criança partilhar as tarefas domésticas com a família", realçou.
Mas "as piores formas de exploração de crianças e adolescentes, como a prostituição, tráfico de droga e pequeno crime" existem nas grandes cidades, sobretudo nos bairros degradados do Porto e de Lisboa. Ana Maria Mesquita afirmou não conhecer casos, mas sabe que "são detectados pela Comissão de Protecção de Crianças".| SUSANA PINHEIRO, Braga
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