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Associação pró-Ota ataca reflexão pedida por Cavaco

por

PAULA SÁ  

"Se o Governo recuar neste projecto é um Governo medroso"

Um movimento pró-Ota, transformado em "associação desenvolvimento e novo aeroporto", atacou ontem fortemente a posição do Presidente da República sobre este projecto. O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Moita Flores, que também integra a associação, considerou que reabrir o debate sobre a localização do novo aeroporto se insere "numa miséria moral e política", derivada do "velho do Restelo que nos habita" e que nos leva a continuarmos "parados e hesitantes. "É tão patético!"

Na opinião do autarca - que em tempos defendeu Rio Frio como a melhor localização para um novo aeroporto e, depois, mudou de ideia -, os novos estudos, pagos por "tansos" [leia-se portugueses], servem entre outras coisas para sustentar as "universidades em crise e os professores universitários que precisam de ganhar a vida".

Confrontado com o ataque indirecto ao Chefe do Estado, Moita Flores negou essa intenção. Mas a verdade é que Cavaco defendeu há poucos dias, na Covilhã, um debate aprofundado no Parlamento sobre a localização do aeroporto, que a decisão tem que ser "tomada com base em estudos muito aprofundados" e pediu um "consenso técnico" sobre a matéria e o "mais amplo consenso político".

Outro dos membros do movimento pró-Ota, José Eduardo Carvalho, da Associação de Empresários da Região de Santarém, lembrou os "enormes custos" de 30 anos de estudos sobre a Ota e considerou que se "está a assistir à prostituição do de debate técnico" sobre a melhor localização para aquela infraestrutura. "Não vai haver consenso político nem técnico sobre a Ota. É uma decisão política." E lançou um repto ao Governo de José Sócrates, partilhado pelos restantes presentes na conferência de imprensa - Silvino Sequeira, presidente da Câmara de Rio Maior, e Paulo Caldas, presidente da autarquia do Cartaxo -: "Se o Governo recuar neste projecto, é um Governo medroso e perderá a credibilidade." A associação anunciou que vai pedir uma audiência ao Executivo, mas não ao Presidente .


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