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Uma maratona cultural muito democrática

por

MARCOS CRUZ  

Pela quarta vez, Serralves, no Porto, franqueia os seus 18 hectares à população, convertendo-se numa espécie de País das Maravilhas por 40 horas. Em cada canto pode disparar, a qualquer altura, um evento artístico - e a todos eles os visitantes (51 mil no ano passado) têm acesso gratuito.

BCI e Super Bock são os mecenas desta iniciativa quase pirómana, pelo permanente crepitar de cultura que proporciona - e a verdade é que nem o fogo de artifício falta (hoje, à meia--noite). A actividade começa cedo, assim que batam as 08.00, com a abertura das exposições patentes no Museu e a inauguração de uma obra concebida especificamente para o Parque por Veit Stratmann. Às 10.00 arrancam visitas guiadas, workshops de cinema e animação, uma feira do livro, oficinas para crianças, um concurso de fotografia e eventos que se estendem dia fora e se repetem amanhã.

Ainda antes do meio-dia acordam o teatro (também o de rua e o de marionetas), o circo, a dança e a performance, área em que merece destaque uma colaboração entre a artista plástica Maria Nordman e os Pauliteiros de Miranda. Pela tarde, e já depois de uma sempre recomendável actuação dos Tocá Rufar, de Rui Júnior, entre um recital de poesia e peças de teatro como Tritone ou Lembranças assoma a proposta Bal Moderne, em que aos visitantes são ensinadas coreografias que os próprios podem, em seguida, mostrar num espectáculo. Para o fim da tarde (e já na presença de Cavaco Silva, que terá um jantar em sua honra), nada melhor do que o jazz híbrido do Willem Breuker Kollektif.

À noite, todos os caminhos se destinam ao Prado. É a Festa no Prado, para muitos o coração do Serralves em Festa. Este ano, os nomes em foco são 7 Magníficos (colectivo de DJ do Porto), Joakim and His Ectoplasmic Band (músico, produtor, DJ e fundador do selo Tigersushi - acompanhado da sua banda) e, sobretudo, Diplo, um dos mais reconhecidos produtores e DJ da actualidade, um mestre do eclectismo vindo de Filadélfia.

No Domingo, em vez do galo, canta a Banda Sinfónica Portuguesa, para redespertar as múltiplas propostas de oficinas, visitas, teatro, cinema, you name it. Em destaque, já durante a tarde, as actuações "itinerantes" do saxofonista John Butcher e a estreia mundial de um hit pop criado esta semana pela cantora francesa Fabienne Audéoud, em parceria com músicos do Porto. E à noite, para o fim de festa, além de duas peças de novo circo, dois musts musicais: Panda Bear (Noah Lennox, dos Animal Collective) e XIX, projecto do trompetista Ben Neill com a vocalista dos Hugo Largo, Mimi Goese. É escolher... |


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