por
HELDER ROBALO e JOÃO PAULO MENDES
Os seis acusados no caso da permuta de terrenos nas Antas entendem não existir bases para a ida a julgamento. O ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso, os dois técnicos da autarquia e três dirigentes do FC Porto argumentam que existem contradições no despacho do Ministério Público que os acusa de terem lesado a autarquia. A defesa de Nuno Cardoso deverá mesmo requerer a abertura da instrução do processo já na próxima semana.
Além de Nuno Cardoso - incontactável todo o dia de ontem - e dos dois engenheiros da câmara, foram ainda acusados os dirigentes do FC Porto Angelino Ferreira, Adelino Caldeira e Eduardo Valente. Contactado pelo DN, Angelino Ferreira confirmou a acusação, mas escusou-se a tecer mais comentários. Mas o DN sabe que está bastante agastado com o seu envolvimento no processo. Os três são acusados sob a forma de cumplicidade por terem sido intervenientes na negociação com o executivo municipal.
Com "indignação", o FC Porto já reagiu em comunicado, classificando a acusação como "caricata" por considerar que o clube e dirigentes não foram beneficiados, como tinha concluído o Ministério Público (MP) em inquérito anterior.
Segundo Miguel Moreira dos Santos, advogado do ex-presidente da câmara, existem contradições no processo, já que se considera que a autarquia foi lesada, mas não se entende que o FC Porto foi beneficiado face aos restantes proprietários.
O negócio da polémica remonta a 1999, quando o clube recebeu da autarquia os terrenos de Aldoar, junto ao Parque da Cidade, avaliados em quatro milhões de euros. Em troca cedeu à autarquia os terrenos das Antas, avaliados pelo mesmo preço. Mas, segundo um relatório da Inspecção-Geral de Finanças, os terrenos das Antas valiam apenas 1,5 milhões de euros, porque a avaliação devia ter tido em conta que, à data, aqueles eram terrenos destinados a equipamentos desportivos. Mas para o local estava prevista construção imobiliária. Foi nesta base de construção que os técnicos da câmara os terão avaliado em quatro milhões de euros. Este facto levou o MP a considerar ter havido prejuízo para o erário público de 2,5 milhões de euros.
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