por
PAULA FERREIRA
O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) começa, a partir de amanhã, a cobrar portagens aos visitantes que atravessem a Mata de Albergaria. Isentos ficam os residentes no concelho de Terras de Bouro.
Uma decisão que deixa o presidente da Câmara Municipal de Terras do Bouro indignado. António Afonso acusa o Ministério do Ambiente de publicar a regulamentação em Diário da República sem ouvir os municípios, embora no documento esteja escrito que a decisão foi tomada depois de ouvidos os autarcas. "Tivemos duas reuniões, mas não ficou nada acordado", afirma rejeitando "medidas avulsas e unilaterais".
A partir de amanhã, cada automóvel que pretenda aceder à estrada que liga as Caldas do Gerês à Portela do Homem, a partir de S. João do Campo, pela mata de albergaria, terá de pagar 1,5 euros. As receitas serão depois aplicadas em acções de conservação da natureza. Neste caso, segundo fonte do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, "mais de metade das verbas serão canalizadas para o sistema de controle do acesso e fiscalização da mata", uma reserva biogenética, por onde passa a Geira romana, uma via que ligava Braga a Astorga.
O autarca reclama investimentos e alterações ao Plano de Ordenamento do PNPG, em fase de revisão. Da parte da Câmara de Terras de Bouro pretende-se a abertura da albufeira de Vilarinho da Furnas à prática de desportos não motorizados e a criação de duas praias fluviais, algo para o que António Afonso diz ter garantias do Ministério do Ambiente.
Os ambientalistas temem que este seja um primeiro passo para massificar a albufeira. Miguel Dantas da Gama, do Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, duvida de que a portagem de 1,5 euros sirva para diminuir a pressão humana. "Para quem vem fazer turismo essa quantia, por automóvel, que significado tem?", pergunta. |
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