por
LUÍS NAVES
O presidente do Banco Mundial, que ontem aceitou demitir-se, após uma controvérsia de semanas, pode afirmar que perdeu o seu emprego por causa de uma mulher. O escândalo de nepotismo que envolveu Paul Wolfowitz, de 63 anos, foi considerado evidente pela administração do banco. O que se desconhecia era a influência que a sua amante, Shaha Riza, cidadã britânica de origem árabe, teve na concepção da política da Administração Bush para o Médio Oriente e, em especial, para o Iraque.
O caso amoroso entre Wolfowitz e Riza (ambos divorciados) foi objecto de intenso mexerico em Washington, logo após a nomeação do polémico ex-subsecretário da Defesa para o Banco Mundial (BM). A escolha de Bush (Março de 2005) recaíra numa figura odiada: Wolfowitz foi um dos ideólogos da invasão do Iraque, falcão da administração, teórico neoconservador que defendia a reorganização do Médio Oriente através da teoria do dominó, que criaria uma sequência de novas democracias.
Hoje, sabe-se que as ideias não eram apenas suas. Uma das principais conselheiras, já em 2003, no ano da invasão do Iraque, era a economista Shaha Riza, responsável do Banco Mundial pelo Médio Oriente. A influência era conhecida (foi mencionada em blogues e até num artigo da New Yorker), mas o Financial Times noticiava que a contratação de Shaha Riza como conselheira do Pentágono foi decidida no primeiro dia do ataque contra o Iraque, através de um e-mail com origem no gabinete do próprio Wolfowitz.
A relação entre os dois era um segredo de polichinelo e tornou-se pública quando Wolfowitz foi nomeado presidente do Banco Mundial, por escolha da administração Bush. Tendo uma relação com uma funcionária da instituição que ia dirigir, o antigo número dois do Pentágono questionou a administração sobre o procedimento a ter no assunto.
Foi aqui que começaram as trapalhadas. A administração do banco recomendou que Riza fosse destacada para uma comissão de serviço, com salário pago pelo BM, opção que, segundo afirmou a própria, o seu namorado devia ter combatido. Enfim, Wolfowitz aceitou que Riza fosse enviada para o Departamento de Estado, mas aceitou igualmente um generoso aumento salarial equivalente a 40 mil euros anuais, além de promoção garantida ao regresso (após Wolfowitz sair do banco).
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