por
MARCOS CRUZ
A Feira do Livro do Porto (FLP) vai sair, em 2008, do Pavilhão Rosa Mota, onde se realiza há 13 anos. Francisco Madruga, vice-presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e principal responsável pela organização do evento, disse ontem, na apresentação da edição deste ano, que ali decorre do próximo dia 24 a 10 de Junho, ser do interesse da Câmara do Porto (CMP) "que a feira se desloque para a Baixa".
Não é, porém, garantido que isso aconteça. "Estamos disponíveis para tudo, na certeza de que novos pavilhões implicarão um investimento de centenas de milhares de euros", adiantou Madruga, que planeia falar com Rui Rio "mal esta edição se inicie". A hipótese de mudar de cidade não é, também, posta de lado, embora o desejado fosse envolver "as autarquias do Grande Porto na busca da melhor solução". Certo, porém, é que "quer elas queiram quer não, vai sempre haver Feira do Livro do Porto", disse o responsável.
O Pavilhão Rosa Mota entrará em obras de conversão num multiusos, mantendo a estética e a funcionalidade para eventos desportivos, concertos, congressos e realizações empresariais. Contactado pelo DN, o gabinete de imprensa da CMP não soube dizer se, ou por que razão, a FLP não cabe nos novos planos do edifício.
Este ano, a feira terá 150 editoras (número recorde), distribuídas por 111 stands. Pela primeira vez será permitida a venda de livros em língua estrangeira e, noutra alteração ao regulamento, os editores poderão aplicar o desconto que quiserem a livros com mais de 18 meses. Formas de combater a falta de rentabilidade do evento. "Os editores sentem que a feira é importante para divulgar o que editam, mas aos níveis a que ela tem estado nos últimos anos põe-nos no limite do benefício do investimento", reconheceu Madruga, apesar de tudo confiante: "Em anos de crise de venda de livros, como este tem sido, a feira costuma correr bem."
Significativo é o facto de a FLP ter um orçamento de 200 mil euros, que, revelou o "vice" da APEL, "é o valor do apoio que a Feira do Livro de Lisboa recebe só da autarquia". Refira- -se que a CMP deixou de subsidiar o evento, a que atribuía 30 mil euros.|
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