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RUTE ARAÚJO
Custa apenas dez euros por mês, mas pode melhorar significativamente a vida dos doentes com HIV/sida que estão em tratamento. Um estudo da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, concluiu que a simples toma de um suplemento mineral, o selénio, atrasa a progressão da doença e diminui a carga viral nestes pacientes. Uma ajuda que tem a grande vantagem de ser fácil e barata, em doentes cujo tratamento tem um preço muito alto.
Publicado na revista de especialidade Archives of Internal Medicine, o estudo realizou-se em 174 doentes a receber tratamentos anti-retrovirais. Ao longo de nove meses, 91 deles tomaram uma cápsula de 200 microgramas de selénio, enquanto outros 83 receberam apenas placebo. Os resultados mostram que os primeiros apresentavam uma carga viral mais reduzida e um maior número CD4 - as células de defesa do organismo contra a infecção. "Este é um modo simples, barato e seguro de potenciar a terapêutica", afirma um dos autores da investigação, Barry Hurwitz, "face aos desafios decorrentes do uso das terapias farmacológicas convencionais para reduzir e manter estável a carga viral". Os resultados não foram tão promissores nos doentes com problemas digestivos sujeitos. Um dos efeitos comuns dos anti-retrovirais é a diarreia crónica, que impede a absorção do selénio.
Não foi, no entanto, ainda identificado o mecanismo através do qual o selénio consegue estes efeitos. Uma das hipóteses é que as propriedades antioxidantes deste mineral contribuam para reparar os danos feitos pelo oxigénio nas células imunitárias - o que se torna uma arma importante neste tipo de pacientes.
Reticências ao resultado
"Mais um estudo". É desta forma que o coordenador Nacional de Luta contra a Sida comenta o trabalho. Henrique Barros lembra que o selénio e outros antioxidantes foram estudados há vários anos como complemento no tratamento de várias doenças - do cancro do pulmão às patologias cardiovasculares - e os resultados "não são animadores". Por isso, os guia terapêutico que a coordenação elaborou para tratar os doentes em Portugal não integra suplementos deste tipo. Apesar de a alimentação ter um papel fundamental nos portadores de HIV/sida, "não há evidência científica" que suporte a integração deste tipo de suplementos naquilo que deve ser administrado aos doentes. "A alimentação deve ser encarada de uma maneira mais global, não através de um ou outro suplemento", refere. Reagindo ao estudo, também os especialistas internacionais lembram que se trata apenas de uma esperança. "Não aconselhamos às pessoas com HIV que vão a correr comprar estes suplementos", lembra também à BBC Roger Pebody, da organização inglesa Terrence Higgins Trust. Os especialistas lembram que antes já se sabia de um potencial impacto do selénio no sistema imunitário, mas este nunca tinha sido testado nos HIV positivos. Contudo, sublinham que se trata apenas de um complemento e já nada substitui o tratamento com anti-retrovirais. |
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