por
PAULA CARMO
PAULO SPRANGER (imagem)
Quem quer fazer uma bomba artesanal? Na Internet surge a receita simples, fácil de confeccionar. Bastam, por exemplo, três ingredientes de venda livre (como a lixívia) e já está. Carga explosiva suficiente para matar. Jovens portugueses estão a usar a Rede para as experiências mais bizarras, entre elas, o fabrico de engenhos explosivos.
Seis rapazes, entre os 15 e 17 anos, foram identificados pela Polícia Judiciária (PJ) de Coimbra por serem os mentores de explosões, na Figueira da Foz e na Covilhã, cujos engenhos eles próprios fabricaram seguindo instruções simples que recolheram em vários sítios internacio- nais da Internet.
O fenómeno alastra em Portugal e os investigadores da PJ confessam-se preocupados, pelo que pedem atenção redobrada a pais e professores. Só em Coimbra já foram registados mais dez casos.
Em Outubro do ano passado, dois jovens da Covilhã colocaram produtos explosivos dentro de um contentor de lixo, ao lado de um banco de uma escola. Era mais que certo que alguém se sentaria ali, mais minuto menos minuto. Após lenta combustão, o artefacto explodiu pouco depois de uma aluna se ter sentado. A estudante ficou ferida nos tímpanos e teve de receber assistência nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Na Figueira da Foz, em Junho, um episódio semelhante, quando, numa zona residencial, quatro jovens colocaram em perigo uma jovem vizinha que passava acidentalmente pelo local. Sem ferimentos, a rapariga não se livrou, porém, de um enorme susto. A investigação do Laboratório de Polícia Científica da PJ conduziu os peritos para engenhos de fabrico simples. Segundo fonte da Judiciária de Coimbra, os jovens não teriam intenção de ferir ou matar, mas estão indiciados por explosão dolosa. Os casos foram remetidos para as respectivas comarcas onde ocorreram os incidentes (Figueira e Covilhã).
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