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ABEL COELHO DE MORAIS
Militares querem garantir natureza laica do regime
O Governo do partido islamita AKP, dirigido por Recep Tayyip Erdogan, reagiu ontem em termos duros à nota do chefe de estado-maior do exército turco, em que este expressara a "preocupação das forças armadas" com a crise em torno da eleição presidencial.
Também Bruxelas expressou preocupação pelos acontecimentos em Ancara. A comissária para o alargamento da União Europeia Olli Rehn afirmou que a presente crise é o "teste decisivo para saber se as forças armadas turcas respeitam os valores democráticos". A Turquia pediu a adesão à UE, mas desde finais de 2006 que as negociações estão praticamente paralisadas. Um relatório da UE, divulgado em Novembro, indicava que os militares turcos mantêm um excesso de poder e prerrogativas na Turquia, o que mina a natureza democrática do regime.
Na reacção à nota dos militares, Erdogan lembrou que as suas chefias "estão sob as ordens do primeiro-ministro" e que os turcos "não autorizam nem voltarão a autorizar" a desestabilização do país. A nota do chefe do estado-maior fora divulgada às zero horas de sábado afirmando, segundo a agência Anatólia, que "as forças armadas são parte" do debate sobre o secularismo, do qual "são intransigentes defensores". No comunicado podia ainda ler-se que "utilizar a religião e manipular a fé transformando-a num discurso político pode conduzir ao desastre". O documento garantia que o exército não se coibiria de actuar "sempre que necessário" para preservar a natureza laica da República Turca.
Com esta nota, os militares envolviam-se na crise política nascida do candidato presidencial do AKP, e membro do Governo, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gul, ter falhado a eleição na votação ocorrida sexta-feira no Parlamento de Ancara (ver textos nesta página).
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