por
GRAÇA HENRIQUES
Manifestação pacifista acaba com violência
Um dia antes dos confrontos do 25 de Abril entre a polícia e anarco-libertários no Chiado, em Lisboa, já as autoridades sabiam que os manifestantes pretendiam atacar a sede do Partido Nacional Renovador (PNR) e destruir o cartaz contra a imigração colocado no Marquês de Pombal. Esta é a justificação para o aparato policial que rodeou aquela que se pretendia ser uma concentração pacífica, mas que viria a acabar em conflitos com as forças de segurança. Resultado: cinco polícias e dois manifestantes feridos, onze pessoas detidas e diverso material de agressão apreendido.
Os detidos por vandalismo e agressões (nove homens e duas mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos) foram ontem libertados com termo de identidade e residência depois de terem sido ouvidas por um juiz de instrução criminal. Florinda Baptista, advogada dos detidos, disse que o inquérito prossegue os seus termos, negando que os clientes tenham praticado actos violentos.
Também José Falcão, do SOS Racismo, acusa as autoridades de provocação e faz questão de alertar para a diferença de tratamento em relação a uma manifestação pacifista como a de há dois dias e a de há um ano que juntou a extrema-direita.
A polícia nega qualquer discriminação, diz que respondeu a agressões e põe em causa os intuitos pacifistas dos manifestantes. "Não se vai para uma concentraçãopacifista com cocktail Molotove a cara tapada", comenta ao DN uma fonte da Polícia de Segurança Pública. Além disso, a PSP sublinha que esta manifestação não estava devidamente autorizada, nem sequer tinha sido comunicada ao Governo Civil de Lisboa.
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