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DE FONTE (IN)SEGURA

por

José Carlos Abrantes

provedor@dn.pt  

As fontes fazem as notícias, sustentam alguns grandes conhecedores do jornalismo. Esta apreciação, um tanto exagerada, chama a atenção para um dos aspectos mais importantes desta actividade. A rede de contactos dos jornalistas, construída dia a dia, é um dos seus instrumentos de trabalho mais preciosos. A partir dela, conhecem e confirmam factos novos, testam hipóteses, tentam compreender os acontecimentos. Na época actual, outras fontes têm ganhado relevo, além das tradicionais. As agências de comunicação têm peso na construção da narrativa jornalística e adquiriram importância crescente nos últimos anos. Outras fontes institucionais organizaram-se melhor que os jornalistas. A televisão e a imprensa escrita e online, bem como a rádio, funcionam como fontes recíprocas nas diferentes horas do dia. Os blogues têm também mostrado capacidade de desencadear algum sobressalto cívico e alguma inquietação informativa. Que o diga José Sócrates, nosso primeiro-ministro. No que diz respeito à polémica sobre os diplomas, a imprensa portuguesa separou águas ao citar a blogosfera como origem da notícia, como fez o DN. No caso de hoje, interessam- -nos as fontes políticas.

Um leitor, devidamente identificado, coloca o problema das fontes que deram origem a uma notícia sobre a Presidência da República a 6 de Abril. "(...) Lê-se hoje 'Cavaco prepara resposta', sem que, concluída a leitura do artigo, em que é citada uma fonte anónima, alegadamente 'próxima de Belém', fique a perceber-se que resposta prepara o PR.

Para que o texto não fique 'coxo' e curto para honras de manchete, são ouvidos dois sociólogos, um dos quais membro da Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva. Comissão de Honra essa que, se não ultrapassou o milhar de pessoas, integrou seguramente algumas centenas.Que legitimidade acrescida assiste ao referido sociólogo para interpretar e até 'adivinhar' o sentido da intervenção presidencial (em que, repito, o artigo é omisso)?

Fica-me portanto a nítida sensação de 'ter ido ao engano' e de o título do artigo (ambos) ter despertado em mim uma curiosidade que não ficou minimamente satisfeita após a leitura do mesmo. Em linguagem popular é aquilo a que vulgarmente se chama 'vender gato por lebre'."

O leitor, num e-mail adicional, acrescenta : "(...) Escrevi a primeira mensagem ainda antes de ter tomado conhecimento do desmentido pela Presidência da República de que o assunto da licenciatura do primeiro- -ministro foi alvo de discussão, análise, entre o Presidente da República, Cavaco Silva, e os seus mais directos colaboradores.


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