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Necrologia chega à TV pela mão do Porto Canal

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MARCOS CRUZ  

Embora esteja ainda a dar os primeiros passos, haverá sempre um antes e um depois de Dizer Adeus no que ao anúncio público de falecimentos diz respeito. Com três emissões diferentes por dia (09.45, 12.45 e 21.50), o novo programa do Porto Canal amplia à televisão um serviço até aqui exclu- sivamente facultado pelas secções de necrologia dos jornais.

"As vantagens são evidentes", diz Luís Araújo, responsável pela Tráfico Audiovisual, empresa que produz Dizer Adeus. "Além de ser uma forma mais pessoal e menos limitada de comunicar a morte de uma pessoa, permite-nos lidar melhor com o tempo, já que, por exemplo, se houver um funeral às 10.00, nós anunciamo-lo na noite anterior, ao passo que o jornal, como só sai de manhã, corre o risco de ser lido tarde demais. E outra coisa: os nossos preços são mais baixos", sublinha.

A ideia de adaptar o formato nasceu no âmbito de um trabalho para a cadeira de televisão do curso de Som e Imagem da Universidade Católica do Porto. "Eu e o Pedro Rocha, autor e hoje realizador do programa, apresentámo-lo na NTV, mas foi chumba- do porque o então director da RTPN disse que não encaixava na filosofia da estação", conta Luís Araújo, para quem a recusa se ficou a dever a uma "incapacidade de perceber a utilidade pública do projecto".

Não convencida, a dupla acabaria por levá-lo ao Porto Canal, e aí, "além de abertura, houve uma aposta efectiva", confirmada pelo facto de Dizer Adeus ter um bloco "no prime time da TV Cabo". Celebrado o acordo, havia que contactar a Associação de Agentes Funerários de Portugal. "Mostrá- mo-lhes o episódio-piloto, gostaram, contribuiram para optimizar o conceito e deram-nos a lista dos associados deles, sob a condição de estes serem mencionados em cada anúncio que fizessem", revela o produtor.

O envolvimento dos agentes fune- rários não tem, porém, sido fácil. "Vai pouco a pouco. 20% deles já participaram, mas, claro, há sempre algum receio em abordar este tema na televisão. Mesmo os que não querem trabalhar connosco não sabem por que não querem. E isto já diz muito", ajuíza, antes de insistir: "Até numa área como esta é preciso ter uma visão dinâmica do mercado e dos serviços que estão a aparecer. Quem não mostrar abertura para se renovar poderá não sobreviver à concorrência".


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