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Parlamento só tem onze verdadeiros doutores

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Pedro Correia  

Apenas 11 dos actuais 230 deputados podem, em rigor, ser considerados doutores. Por terem concluído o doutoramento em várias especialidades. São menos ainda do que aqueles que apresentam só os estudos secundários como habilitações literárias - 16 no total. Alguns optam por um registo lacónico, limitando-se a informar que são licenciados, sem especificar em que área. E há dois que omitem as habilitações literárias no site oficial da Assembleia da República: Renato Gonçalves, deputado do PS pelo distrito de Setúbal, e Zita Seabra, que representa o PSD em São Bento.

"Tenho o antigo 7º ano [actual 11º ano] e não prossegui os estudos porque aos 17 anos entrei na clandestinidade, como militante do PCP, como toda a gente sabe", justifica Zita Seabra em declarações ao DN. A deputada prefere acentuar a profissão no seu currículo: é editora.

Os bloquistas Fernando Rosas (História Contemporânea) e Francisco Louçã (Economia), os socialistas Manuel Maria Carrilho (Filosofia), José Lamego (Direito), Maria Carrilho (Sociologia Política), Bravo Nico (Ciências da Educação), Cecília Honório (História das Ideias Políticas) e Matilde Sousa Franco (História da Arte), os sociais-democratas Mota Amaral (Ciências Económicas), Mário Patinha Antão (Economia) e Luís Fagundes Duarte (Linguística Portuguesa) são os verdadeiros doutores de São Bento. Um tema actual, atendendo à polémica desencadeada pelo currículo académico do primeiro-ministro.

Perto do doutoramento, mas tendo apenas concluído o mestrado, estão 12 deputados. Entre eles os sociais-democratas Montalvão Machado (Ciências Jurídicas) e Miguel Frasquilho (Teoria Económica), o socialista Vitalino Canas (Ciências Jurídicas), e os comunistas António Filipe (Ciência Política) e Luísa Mesquita (Literatura Portuguesa). Invulgar é o caso do social-democrata Carlos Páscoa Gonçalves, eleito pelo círculo da emigração fora da Europa, que declara no seu currículo ter concluído duas licenciaturas - uma em Direito, outra em Economia.

Uns estudaram muito, outros nem tanto. José Soeiro, do PCP, tem como habilitações literárias apenas o antigo ciclo preparatório, correspondente ao actual 6º ano. O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, parou de estudar no 4º ano do curso industrial (actual 8º ano). A bloquista Mariana Aiveca e o socialista Vasco Franco, ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa, concluíram o curso geral do comércio.


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