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Mendes quer inquérito a percurso de Sócrates

por

Susete Francisco

Rui Coutinho (imagem)  

A explicação de José Sócrates "não foi suficiente nem convincente", não está em causa apenas um lapso "mas uma falha de carácter que mina a credibilidade" do primeiro-ministro - e a única solução passa por uma averiguação de uma entidade independente ao percurso académico do chefe do Executivo. O líder do PSD, Marques Mendes, reagiu ontem em tom duro às explicações de José Sócrates sobre o seu percurso académico. "Esclareceu muito pouco" foi a conclusão do líder da oposição.

E o caso é particularmente grave, sustentou Marques Mendes, que reagia na sede do PSD, poucos minutos depois de terminada a entrevista de Sócrates. "A legitimidade de um primeiro-ministro vem dos votos, não dos títulos académicos. Mas utilizar um título que não se tem, fazer passar-se por aquilo que não é, revela uma falha de carácter, mina a credibilidade e afecta a sua autoridade", afirmou Mendes. "Restam muitas dúvidas, o que é muito prejudicial no plano interno e no plano internacional", reiterou ainda o presidente social-democrata, acrescentando que a "dúvida é má conselheira".

Razão pela qual José Sócrates "deve ser o primeiro interessado em que não reste uma sombra de dúvida" sobre este caso, diz o líder da oposição, desafiando o primeiro-ministro a pedir "uma investigação sobre toda esta situação a uma entidade independente". O presidente social- -democrata não especificou que entidade seria esta - "não vou concretizar, não me compete a mim dizer" -, acrescentando apenas que é essencial que "não seja tutelada pelo Governo".

"Instrumento de distracção"

Além do PSD, também o PCP reagiu ontem à entrevista de José Sócrates à RTP. Numa nota citada pela agência Lusa, Vasco Cardoso, da comissão política dos comunistas, disse "registar o esclarecimento" do primeiro-ministro. Mas desvalorizou a questão da licenciatura de chefe do Executivo: "Sem prejuízo da utilidade de se ver esclarecida esta questão, não é possível deixar de observar que a mesma tem sido sobretudo utilizada como instrumento de distracção dos reais problemas do País."


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