por
Ilídia Pinto
Hernâni Pereira (imagem)
Durante cinco anos, entre 1986 e 1991, o Exército Guerrilheiro do Povo Galego espalhou o terror em nome da independência daquela região espanhola, mantendo sempre uma forte ligação ao norte de Portugal, sobretudo ao Minho, a qual ainda perdura. Mais de uma década depois, um relatório da Europol, divulgado ontem pelo DN, aponta para a crescente actividade de grupos separatistas galegas no norte de Portugal, alguns representando facções e dissidentes do núcleo de guerrilheiros inicial.
O auto-intitulado GZ Resistência Galega é um dos "mais activos", reconhece a Polícia Judiciária, admitindo a sua operação em Portugal, sobretudo com a distribuição de propaganda em defesa da independência galega. Ao grupo armado inicial são atribuídos 90 actos terroristas, o último dos quais a 13 de Setembro de 1991. Pelo meio há ainda a registar o assassínio de um agente da Guardia Civil (em 1989), até que em 1993 foi dado como "desactivado" pelas autoridades espanholas. No entanto, admitem alguns investigadores, há elementos que nunca abandonaram o ideal separatista e, até como facções do movimento armado original, centraram a base da actividade do lado de cá da fronteira.
Contactado pelo DN, o investigador José Luís Manso Preto, perito nas relações policiais entre Galiza e norte de Portugal, confirmou que ainda "há poucos anos", um alegado grupo destes separatistas estaria a viver em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês, na freguesia do Soajo, Arcos de Valdevez. "Sei que tinham uma casa, rústica, alugada, perto da aldeia. Eram uns cinco e, pelas matrículas, apurei da polícia espanhola que se tratavam de elementos do Exército Guerrilheiro do Povo Galego". Perante alguns movimentos do jornalista, no terreno, "de um momento para o outro" o grupo desapareceu. "Nem a renda pagaram. Mas ninguém imaginaria que estivessem a viver ali, no meio do nada e até, inicialmente, suspeitava de tráfico de droga", admitiu. Nestas relações "suspeitas" entre povos vizinhos, recorda ainda um episódio com vinte anos, em Monção, que culminou na violenta, mas acidental, explosão de uma viatura carregada de explosivos. "Suspeita-se que fosse um contrabandista local que fornecia explosivos aos guerrilheiros. Estava a colocar o material na mala do carro e, ao fechar, bateu com força e foi tudo pelos ares. Incluindo três casas das imediações", assegura. No Minho, os terroristas procuravam, quando ainda realizavam acções armadas, os explosivos plásticos, nomeadamente a gelamonite. Um explosivo utilizado na confecção pirotécnica e nas pedreiras, actividades espa- lhadas um pouco por toda a fronteira com a Galiza e onde, ainda hoje, as autoridades encontram "vários indícios" de ligação com organizações separatistas galegas.
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