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Cervejeiras abrem nova guerra sobre a liderança

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Ilídia Pinto  

Rebentou de novo a guerra no mercado cervejeiro. A Central de Cervejas anunciou que a Sagres ultrapassou já a Super Bock, um facto inédito, o que levou a Unicer a reagir acusando-a de "construir uma liderança com base em desinformação" e em "operações de cosméti- cas".

A Centralcer recusa comentar e garante que os dados que apresentou são factuais e provenientes de uma entidade credível, a Nielsen. A Unicer riposta, apresentando números da mesma empresa de estudos de mercado para garantir que mantém a liderança "incontestável" do mercado cervejeiro nacional, quer a nível de marcas quer a nível de fabricantes.

Os números em que a Centralcer se sustenta para garantir que a Sagres ultrapassou as vendas da Super Bock são referentes ao canal alimentar. Números referentes aos meses de Dezembro e Janeiro últimos, e que contêm uma alteração no universo estudado pela Nielsen, com a inclusão dos supermercados Lidl, nos quais a Unicer não estava presente na altura. E, pelos quais, a Sagres arrecadou, na altura, uma quota de mercado de 38,2% contra os 34,9% da Super Bock.

Nesta guerra, António Pires de Lima, presidente da Unicer, garante que "está muito calmo" porque "há quem pretenda aparentar ser líder e há quem o seja efectivamente". Sem nunca mencionar o nome do seu mais directo concorrente, mas dirigindo-se obviamente à Central de Cervejas, Pires de Lima acusou a existência de "empresas que aparentam o que não são, procurando construir uma liderança com base na desinformação". Para logo a seguir acrescentar que "mais do que sermos líderes, orgulhamo-nos da forma como conquistamos essa liderança, sem recurso a operações de cosmética".

O presidente da Unicer, que falava aos jornalistas à margem da apresentação do processo inovador, a nível mundial, que levou à produção da Super Bock sem álcool, garantiu que a empresa tem vindo a "reforçar a sua liderança" no mercado cervejeiro ao longo dos últimos meses através de uma "estratégia de inovação e valorização" dos produtos e "não com base em guerras de preço e promoções agressiva em alguns supermercados". Pires de Lima, presidente da Unicer, não contesta a veracidade dos números apresentados pela sua concorrente mas considera que há uma tentativa de aproveitamento dos mesmos em detrimento do valor global do mercado. Até porque o canal alimentar - que inclui os hipermercados, supermercados e as vulgares mercearias - representa apenas 38% do volume total de cerveja consumido em Portugal, contra os 62% do canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés).


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