por
Márcio Alves Candoso
José Sousa Cintra recebeu uma proposta de 90 milhões de dólares (cerca de 67 milhões de euros) para vender a marca de cervejas que leva o seu nome. Em declarações ao DN, o empresário garantiu que esta não é a única oferta que já recebeu, mas não quis adiantar o nome das entidades que avançaram com as propostas. "São várias", referiu, "mas ainda não tomei uma decisão".
Ontem, o jornal Valor Económico, do Brasil, noticiava que um grupo de distribuidores da cerveja Cintra no Brasil está disposto a pagar 10 milhões de dólares (cerca de 7,5 milhões de euros) pela marca, que ficou na posse do empresário português mesmo depois de este ter vendido as duas fábricas que detinha no País Irmão. Mas, a acreditar em Sousa Cintra, a proposta não vai longe. "Dez milhões de dólares? Devem estar a brincar", disse ao DN o ex-presidente do Sporting. Sousa Cintra confirmou estar em negociações, analisando "com calma" cada uma das propostas. "Mas essa é de brincadeira, só pode", exclamou.
Quando no passado dia 28 de Março fechou contrato com a multinacional AmBev -líder do mercado de cervejas na América Latina - para a venda das suas duas fábricas no Brasil, Sousa Cintra destacou a marca, que ficou em seu poder. O empresário tem uma cláusula no contrato com a AmBev que lhe permite a venda separada da marca e da rede de distribuição a terceiros até ao próximo dia 28 de Outubro, ou seja, sete meses após a assinatura do contrato de venda das fábricas, que lhe rendeu 112,4 milhões de euros. Mas a AmBev tem a garantia de que, se Sousa Cintra não conseguir - ou não quiser - vender entretanto, acciona a claúsula que lhe permite comprar a marca pelos tais 7,5 milhões de euros. Ou seja, o empresário não ficaria a ganhar nada se vendesse aos tais 50 distribuidores de que fala a notícia da Valor Económico. O jornal avança que a reunião entre os distribuidores e o empresário português deverá ocorrer "até ao final do mês".
Recurso para tribunal
Entretanto, Sousa Cintra recorreu da decisão de suspensão da venda das duas fábricas, interposta num tribunal de São Paulo pela Petrópolis - a terceira maior distribuidora de cerveja no Brasil - que alegadamente se sentiu lesada com a transacção efectuada entre o empresário português e a AmBev. A Petróplis alega que assinou um contrato de aquisição dos activos da Cintra, mas que esta não honrou os compromissos, tendo começado a negociar com a AmBev. Sousa Cintra garante que o contrato com a Petrópolis foi rescindido a 28 de Fevereiro último, por esta "não ter cumprido todas as cláusulas" incluídas no âmbito negocial.
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