por
Luís Naves
De certa forma, Becky Pimlico despiu-se da sua identidade. Isso faz parte do encanto da dança de cabaret, explica, usar antes esta personagem de femme fatale em vez da sua. A nudez é algo que não a perturba, nem a do corpo, nem a do nome.Cada actuação a solo é feita para a dançarina e esse é o único traço que fica da pessoa de quem não saberemos o nome verdadeiro: Becky é londrina, estudou ballet, tem nariz aquilino e sorriso deslumbrante. Está há três anos com a companhia Crazy Horse, actuou em Paris e Las Vegas.
Agora, em Lisboa (cidade onde se come frango com piri-piri), a bailarina inglesa faz parte de um grupo de 12 artistas do Crazy Horse de Paris que estará a partir de terça-feira e todas as noites (menos segundas) no Casino de Lisboa, numa representação difícil de classificar. Não é exactamente cabaret, mas também não é teatro. Becky, aliás, consegue a melhor definição dos 70 minutos de sensualidade, nudez, música e luz: "É um espectáculo sobre a beleza feminina", diz, com simplicidade, revelando os esplendorosos olhos.
O ensaio geral decorre no auditório do Casino de Lisboa, para o olhar atento da Imprensa. Três números curtos, todos com repetição, para que os fotógrafos possam tirar imagens de vários ângulos. O tema constante do erotismo é encenado em diversas formas, com a única constante dos corpos perfeitos.
A perfeição não é apenas ilusão teatral. Para conseguirem manter a beleza dos corpos é preciso ter cuidado com a dieta, não ter defeitos de nascença ou cicatrizes cirúrgicas. Em Crazy Horse não existe manipulação, aumentos de seios. "É difícil para o nosso corpo", admite Becky, que come peixe e evita carne.
O corpo idealizado tem um único preço: a carreira das dançarinas é geralmente curta. Algumas, só podem ficar na companhia dois ou três anos; em certos casos, mantêm-se sete ou oito. Mas a beleza é fugaz.
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