por
Alexandra Machado
Os CTT - Correios de Portugal vão entregar 17,5 milhões de euros ao Estado sob a forma de dividendos, se a proposta da administração for aprovada em assembleia geral de 4 de Maio. A esta assembleia geral comparece o accionista único dos CTT, que é o próprio Estado.
Luís Nazaré, presidente dos CTT, revelou em conferência de imprensa que esta é a primeira vez que os Correios pagam dividendos ao Estado, pretendendo a empresa de capitais públicos garantir condições para continuar a distribuir resultados ao accionista nos próximos anos. Por isso, vai criar, com os lucros conseguidos em 2006, uma reserva especial de estabilização de dividendos, no valor de sete milhões de euros, que pretende cobrir dividendos futuros, caso, por situação adversa, os CTT não consigam resultados que lhes permitam remunerar o accionista. Mata Costa, administrador financeiro, explicou que esta reserva permite manter a política de pagamento de dividendos. Além dos 17,5 milhões de dividendos e dos 7,2 milhões para a reserva de dividendos, os CTT vão utilizar 38,8 milhões para cobrir resultados transitados (que ficam totalmente cobertos). O remanescente é para a reserva legal. Os CTT vão pagar cerca de quatro milhões de prémio a cerca de 11 mil trabalhadores.
Isto porque os CTT obtiveram lucros recorde de 66,9 milhões de euros em 2006, conseguidos em grande parte à custa dos resultados extraordinários decorrentes da ex- tinção do protocolo com o Sistema Nacional de Saúde (SNS), que conduziu à diminuição das responsabilidades futuras com a saúde. Os resultados extraordinários foram de 39,7 milhões de euros. Por outro lado, os CTT reduziram as responsabilidades futuras com despesas de saúde de 414 milhões em 2005 para 292 milhões em 2006.
Luís Nazaré afirmou que os bons resultados se deveram também ao esforço de redução de custos, o que aliás conduziu a um crescimento do EBITDA de 36%. É que os proveitos subiram 5%, mas os custos subiram apenas 1,8%. Os custos com pessoal representam cerca de 60% da estrutura de gastos. Os CTT são o maior empregador português, com 15 400 efectivos, sendo mil contratados a termo. Segundo Mata Costa, as saídas no ano passado foram praticamente todas por reformas (cerca de 500). Luís Nazaré garantiu que não vai haver despedimentos nos CTT, que enfrentaram, no ano passado, greves e paralisações, o que, segundo a empresa, conduziu a que três indicadores de qualidade não tivessem sido cumpridos: o correio normal (nível de cumprimento foi de 94,8%, e o valor referência é de 95,5%); o correio azul (cumprimento de 92,6%, para uma obrigação de 93,5%) e a entrega de jornais e publicações periódicas (94,7% face a uma obrigação de 95,5%). O não cumprimento da qualidade de serviço pode levar a penalizações pela Anacom.
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