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Maria João Espadinha e Ana Suspiro
António Mexia pode ganhar até 4,2 milhões de euros de salário na EDP, no total do seu mandato (três anos), graças às novas regras de remuneração da eléctrica nacional.
De acordo com uma declaração da comissão de vencimentos, já aprovada pelo conselho-geral e de supervisão, e que será apresentado na Assembleia Geral da EDP a 12 de Abril, o presidente do conselho de administração executivo vai receber, por ano, um ordenado fixo de 600 mil euros brutos, mais uma remuneração variável anual, que pode chegar a 100% desse salário. A este montante poderá acrescer uma outra remuneração plurianual, no final do mandato (também de 600 mil euros). Ou seja, se a empresa liderada por Mexia cumprir todas as suas metas, ele pode receber o equivalente a sete ordenados brutos.
A grande diferença deste novo sistema de remunerações está na variável plurianual, que agora é atribuído em dinheiro e antigamente era entregue em stock options - opção de compra de acções da própria empresa. No entanto, esta remuneração só será atribuída no final do mandato, caso "tenham sido atingidos 90% dos objectivos fixados" anualmente. "Trata-se de garantir a performance sustentável do grupo a médio prazo", explica Rafael Mora, managing partner da Heidrick & Struggles, consultora que desenvolveu este modelo para a eléctrica.
A capacidade de criação de valor no grupo EDP durante o mandato, a performance relativa à capitalização bolsista do grupo comparada com outras empresas, ou a imagem da empresa no mercado são alguns dos objectivos que a administração da eléctrica terá de cumprir, de forma a garantir o seu "prémio". "Além de cumprir o mandato, têm de o fazer bem feito", diz o responsável. Já a remuneração variável anual refere-se a "indicadores de curto prazo", como a capacidade real de criação de valor accionista ou o crescimento da margem bruta.
Esta nova política salarial também abrange os restantes membros do conselho da administração executiva, mas com percentagens diferentes. Neste caso, os administradores podem receber até 3,36 milhões de euros, 80% do salário de António Mexia. Segundo Rafael Mora, o modelo é baseado nas "melhores práticas internacionais" e visa "premiar a execução de uma estratégia", sendo aplicável a todas as empresas.
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