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Cintra vende no Brasil a pensar nos PALOP

por

Márcio Alves Candoso  

"Na vida há que fazer opções." Foi com esta expressão que José Sousa Cintra explicou ao DN a decisão de vender as duas fábricas de cerveja que detinha no Brasil, um negócio que foi concretizado ontem e lhe proporcionou um encaixe de 112,4 milhões de euros. A hora é de apostar nos "mercados de língua oficial portuguesa", disse o empresário ao DN. Angola, país para o qual já exporta, está na calha.

Ao final da tarde, ainda Sousa Cintra se encontrava numa reunião em São Paulo (Brasil) para ultimar os termos do negócio que horas antes tinha sido tornado público através de um comunicado da responsabilidade do comprador. A AmBev, que detém as maiores marcas comercializadas na América do Sul - Brahma, Antártica e Skol - explicou que "pretende utilizar integralmente" as instalações que adquiriu, "devido à necessidade de ampliar a capacidade produtiva no Brasil, tanto no sector de refrigerantes como de cervejas". A Cintra produz actualmente 420 milhões de litros de cerveja e 280 milhões de refrigerantes por ano.

Apesar de ter assegurado ao DN que o negócio no Brasil, iniciado em 1997, "correu muito bem", a verdade é que a cerveja comercializada por Sousa Cintra nunca atingiu os 10% de quota de mercado que era a ambição pública do empresário. No estado do Rio de Janeiro, a Cintra atingia os 6%, mas no país não passa dos 1,3%. Apesar disso, trata-se da quinta cervejeira do País Irmão.

Nos últimos tempos, os meios de comunicação brasileiros publicaram regularmente notícias que davam conta do interesse de Sousa Cintra em vender as suas fábricas do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Petrópolis, terceira maior cervejeira do Brasil, chegou a ser confirmada como estando em conversações com o empresário português. Mas o contrato nunca foi assinado e, em consequência disso, a Petrópolis avançou com um processo judicial contra a Cintra, por entender que estava na posse de um acordo preferencial.

O acordo de venda ontem assinado não inclui a marca Cintra, mas apenas as duas fábricas, sinal de que o ex-presidente do Sporting não pensa abdicar do mercado. Analistas do sector estimam que o rótulo Cintra valha 7,5 milhões de euros.


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