por
Fernando Madaíl
O proletariado que Marx e Engels definiram como a classe que se opunha à burguesia está a dar lugar ao... precariado. No próximo 1.º de Maio, além dos trabalhadores que têm horário de trabalho, salário mínimo e segurança social, vão desfilar também os que têm trabalho precário, sem qualquer contrato nem direito a subsídio de desemprego.
A exemplo do que se tem verificado, nos últimos anos, nas principais cidades europeias, um grupo de associações decidiu promover em Lisboa o MayDay, parada de "operadores de call center, imigrantes, bolseiros, intermitentes do espectáculo e do audiovisual, estagiários, desempregados e contratados a prazo", além dos "já/ainda/quase" estudantes-trabalhadores.
Um dos elementos da organização, Tiago Gillot, diz que a ideia surgiu entre grupos de estudantes de várias faculdades de Lisboa, que se reuniriam, em Fevereiro, com a Plataforma Intermitentes (profissionais das artes e do espectáculo com trabalho "descontínuo, temporário e irregular"), a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica e a ATTAC (Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda aos Cidadãos), tendo decidido organizar uma parada MayDay e participar na jornada da CGTP.
O EuroMayDay, que é uma rede europeia de trabalhadores precários, apareceu em público no 1.º de Maio em 2005, numa dezena de cidades, de Milão a Barcelona, com paradas que se caracterizam pela imaginação, criatividade e algazarra. No ano passado, as manifestações alargaram-se de Londres a Helsínquia, de Sevilha a Viena, de Marselha a Estocolmo, de Roma a Hamburgo.
Trata-se, como explica Tiago Gillot, ele próprio um recém licenciado em engenharia agronómica à procura do primeiro emprego, de "um conjunto novo de pessoas, com vínculos e relações no mundo de trabalho muito mais fracas do que anteriormente". Trabalhadores atípicos, não só para os cânones mais antigos do mundo laboral, mas também porque têm situações muito diferentes entre si - temporários e subcontratados, sazonais e free lancers, estagiários gratuitos e desempregados de longa duração. Devido a essa "enorme diversidade de situações, não se pode estabelecer um novo programa político".
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