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Presos 'bordaram' o chão de Lisboa

 

Eram prisioneiros os primeiros calceteiros de Lisboa. Foram os baptizados de grilhetas - saíam da prisão agrilhoados e assim permaneciam na sua jornada de trabalho - que começaram a "bordar" os tapetes de pedra que hoje fazem parte da paisagem de Lisboa - e, mais tarde, do País e até de recantos do mundo.

A calçada portuguesa foi pela primeira vez aplicada na parada do quartel do Batalhão de Caçadores n.º 5 no Castelo de São Jorge, em 1842. Foram usadas, por iniciativa daquele que é assinalado como o "pai" da calçada, Eusébio Furtado, pequenas pedras brancas e pretas. O motivo - um ziguezague de grande impacto visual - saiu da cabeça deste engenheiro militar, à época governador de armas do Castelo de São Jorge.

Eusébio Furtado soube perceber a resistência dos empedrados das estradas dos romanos. A inovação fez furor entre os alfacinhas, que fizeram romarias ao castelo para ver a calçada, reportaria o DN de 9 de Julho de 1883.

O oficial do Exército não tardou em conseguir financiamento da autarquia para pavimentar os nove mil metros quadrados da Praça do Rossio. De novo os grilhetas foram chamados ao ofício e, diariamente, desciam da penitenciária que então existia no Castelo. A obra começou a 17 de Agosto de 1848 e terminou em Dezembro de 1949. O desenho é hoje um dos mais célebres motivos de calçada - o Mar Largo.

A partir de então, "foi a expansão da calçada", aponta Luísa Dornellas, responsável pela formação da CML. Seguiu-se o Largo de São Paulo, o Largo do Carmo, o Largo de Camões, a Praça do Município, o Largo do Chiado e a Rua Garrett.


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