por
Fernando Baltasar Lima
Maputo
Ao princípio da noite de ontem, a parte mais movimentada do Hospital Central de Maputo era o seu banco de sangue, depois de a rádio e a televisão terem começado a fazer apelos para doações voluntárias às vítimas da explosão do maior paiol da capital moçambicana, registada no dia anterior.
O enfermeiro Faustino tinha um ar cansado, mas estava satisfeito. Habitualmente a afluência de doadores nunca vai além das cem pessoas, mas neste dia muito particular esse número passou dos 500, sobretudo muitos jovens que deram sangue pela primeira vez. Halima, uma estudante do ensino secundário veio solidarizar-se com as vítimas depois de ter tido conhecimento de que havia muitos amputados entre os 400 feridos registados.
A comunidade muçulmana teve um piquete de voluntário no banco de sangue do hospital, distribuindo sandes, sumos, leite e refrescos. Muito pessoal do hospital foi deslocado para o sector a fim de acorrer à avalanche de dadores. Durante o dia de ontem foi feito um novo balanço das vítimas mortais: 106.
Ivo Garrido, o ministro da Saúde, que tem sido muito criticado pelos profissionais do sector devido aos seus métodos de trabalho draconianos, coordenou pessoalmente a logística de apoio às vítimas nas várias unidades de saúde da capital.
Devido ao pânico que se registou nos bairros suburbanos, há centenas de crianças perdidas, tendo sido criada uma linha de atendimento especial para ajudar estas famílias.
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